A Polícia Federal identificou que credenciais de servidores do Ministério Público Federal (MPF) foram usadas para acessar processos sob sigilo no âmbito das investigações sobre o Banco Master e seu ex-dono, Daniel Vorcaro. A descoberta veio a público na noite de quinta-feira (10), após o Supremo Tribunal Federal (STF) levantar o sigilo da apuração, em atendimento a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
O esquema foi revelado a partir da análise de dados extraídos do celular de Vorcaro. Segundo o relatório da PF, o ex-banqueiro mantinha acesso frequente a procedimentos confidenciais não apenas no MPF, mas também na própria Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.
Os investigadores detalharam que a quebra de sigilo ocorria por meio de três métodos principais: o uso de logins funcionais de terceiros, a extração indevida de documentos e a realização de consultas não autorizadas em sistemas restritos. A PF listou as credenciais de dois servidores do MPF utilizadas repetidamente nessas consultas irregulares, ressaltando a possibilidade de uso indevido “com ou sem participação consciente” desses funcionários.
A apuração indica que Vorcaro estruturou uma organização com divisão clara de tarefas para a prática contínua de crimes em diferentes frentes. As informações obtidas eram usadas para “finalidades alheias ao interesse público”, de acordo com o documento oficial.
O relatório também destaca o papel de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão, apontado como “executor operacional” do esquema. Ele receberia R$ 1 milhão mensais para atuar em nome do ex-banqueiro. Entre suas supostas atribuições estavam o acesso ilegal aos sistemas, a coordenação da equipe, ataques hackers, a remoção de conteúdos da internet e a articulação com criminosos, além de monitorar e coagir os alvos da organização.























