Carta de Notícias
  • Gerais
  • Colunistas
    • Mário Plaka
    • William Saliba
  • Opinião
    • Amauri Meireles
    • Flávia Presoti
    • Ricardo Ramos
    • Vitor Bizarro
  • Vídeos
  • Expediente
  • Fale Conosco
  • Login
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Carta de Notícias
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Home Colunistas Mário Plaka

A balança está viciada. E nós somos o peso

“Balança enganosa é abominação.”

Redação por Redação
17 de fevereiro de 2026
em Mário Plaka
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
A A
0
A balança está viciada. E nós somos o peso
Compartilhar no WhatsAppCompartilhar no Facebook

Por Mário Plaka (*)

Não é apenas um versículo antigo. É um diagnóstico atual. A balança do Brasil está viciada — e não adianta fingir que não vemos. Dois pesos, duas medidas, duas versões da mesma história.


A régua muda conforme o sobrenome, o cargo, o partido, a conveniência. E antes que alguém aponte o dedo para “eles”, é preciso dizer: nós somos o Brasil. Eu sou o Brasil. Você é o Brasil. Do andarilho ao empresário, da mulher simples ao homem que ocupa o mais alto pódio da República, cada um de nós é a imagem que o mundo enxerga quando olha para esta nação.

“A justiça do sincero endireita o caminho.” Mas que caminho estamos escolhendo? O da verdade inconveniente ou o da narrativa confortável? Vivemos tempos em que a promiscuidade não é apenas moral — é institucional, intelectual, espiritual. A avareza não é só por dinheiro; é por poder, por palco, por curtida, por influência. A inveja não é só do que o outro tem; é do que o outro representa. E o prazer em destruir virou espetáculo.

“O hipócrita com a boca destrói o seu próximo.” Nunca a palavra foi usada com tanta violência. Destrói-se reputação em minutos. Rotula-se para não debater. Cancela-se para não ouvir. A boca virou tribunal, e a consciência foi dispensada como se fosse acessório. E depois reclamamos da política. Mas quem alimenta essa cultura? Quem compartilha o ataque? Quem vibra com a queda do outro? O Brasil não está apenas nos palácios; está no comentário que fazemos, na piada que espalhamos, na omissão que escolhemos.

“O que despreza o seu próximo carece de entendimento.” Nós desprezamos. Desprezamos o morador de rua como se ele fosse invisível. Desprezamos o empresário como se ele fosse automaticamente vilão. Desprezamos o político como se ele não tivesse saído do nosso próprio meio. E aqui está o ponto que incomoda: já conversei com homens em situação de rua que falavam três idiomas. Já conheci engenheiros, médicos, profissionais altamente qualificados que um dia tinham casa, carro, família estruturada — e hoje dormem sob o céu. O que aconteceu? Queda moral? Frustração? Desilusão? Ruptura familiar? Escolha? Fuga? Não importa. O que importa é que o Brasil é plural. Ele está no asfalto quente e no gabinete refrigerado.

E nós, muitas vezes, olhamos para o andarilho e dizemos: “feliz é ele, que não paga imposto, que não precisa lidar com essa pressão.” E olhamos para quem está no topo e dizemos: “feliz é ele, que tem tudo.” Essa comparação revela mais sobre nós do que sobre eles. Revela cansaço. Revela frustração. Revela uma sociedade que perdeu a referência do que é dignidade.

“Não havendo sábios conselhos, o povo cai.” O povo está cansado, sobrecarregado de informação, esmagado por impostos, polarizado por discursos inflamados. Mas cair não é destino inevitável; é consequência de escolhas. E escolhas começam no indivíduo. Antes de exigir ética do Congresso, preciso perguntar da minha. Antes de cobrar caráter do governante, preciso olhar para o meu. Porque o homem que ocupa o mais alto cargo precisa saber: ele é o Brasil que o mundo vê. Mas o cidadão comum também é.

“A mulher graciosa guarda a honra.” E onde está a nossa honra coletiva? Vendemos princípios por conveniência? Trocamos coerência por vantagem? Adaptamos valores conforme o vento político? A honra não é discurso; é prática diária. É coerência quando ninguém está olhando.

“O homem misericordioso faz o bem à sua alma.” Misericórdia aqui não é romantizar erro, nem justificar crime. É reconhecer que o Brasil não se cura com ódio. Crueldade política gera doença social. Vingança travestida de justiça adoece instituições. E um país doente não prospera.

O problema do Brasil não é apenas econômico. Não é apenas partidário. É moral. É de consciência. É de identidade. Nós enxergamos o Brasil para fora — no governo, na mídia, nas ruas — mas não enxergamos o Brasil para dentro. E enquanto não entendermos que cada atitude nossa pesa na balança nacional, continuaremos reclamando do resultado que ajudamos a produzir.

A balança está viciada. Mas o peso somos nós.

Se queremos mudança de conjuntura, precisamos começar pela mudança de postura. O Brasil não é um conceito abstrato. É gente. É o mendigo, é o empresário, é o religioso, é o ateu, é o branco, é o negro, é o indígena, é o homem, é a mulher, é a criança. É você.

E a pergunta que fica, provocante e inevitável, é simples:

“Que Brasil você está sendo quando ninguém está olhando?”

(*) Mário Plaka é empresário em Coronel Fabriciano e membro fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados – Ajoia BRASIL
Tag: cidadãos brasileiroscorrupçãoimoralidadepolítica
Postagem anterior

Cortes de energia Cemig comprometem atendimento do maior hospital do Leste Mineiro

Próxima postagem

Zema se posiciona contra o STF e confirma participação em protesto

Leia também

O sistema não perdoa quem o enfrenta
Mário Plaka

O sistema não perdoa quem o enfrenta

9 de julho de 2026
Brasil sob a lente: aumentaram as prisões ou aumentou a nossa capacidade de enxergá-las?
Mário Plaka

Brasil sob a lente: aumentaram as prisões ou aumentou a nossa capacidade de enxergá-las?

8 de julho de 2026
Quem bagunçou a casa? Quem está destruindo este país?
Mário Plaka

Quem bagunçou a casa? Quem está destruindo este país?

7 de julho de 2026
Powered by the Tomorrow.io Weather API
JORNALISMO COM CREDIBILIDADE                

** Os artigos de opinião, assinados, expressam a visão do autor e não necessariamente a linha editorial do portal Carta de Notícias.

Expediente:

CN Multimidia e Marketing Ltda.
CNPJ: 36.360.043/0001-25

Conselho Editorial: Antônio William Saliba, William Argolo Saliba e Cid Miranda

CEO:
William Argolo
- (31) 98600-3599
E-mail: financeiro@cartadenoticias.com.br

Direção de Jornalismo: William Saliba - (31) 98744-3030
E-mail: awsaliba@cartadenoticias.com.br

Redação
E-mail: redacao@cartadenoticias.com.br
WhatsApp: (31) 98744-3030

Assessoria Jurídica:
Vitor Bizarro
- (31) 98828-9999
E-mail: juridico@cartadenoticias.com.br

Publicações Mais Recentes:

  • Valdemar Costa Neto prevê reviravolta no caso Bolsonaro

    Valdemar Costa Neto prevê reviravolta no caso Bolsonaro

    9 de julho de 2026
  • O sistema não perdoa quem o enfrenta

    O sistema não perdoa quem o enfrenta

    9 de julho de 2026
  • Lions Clube Ipatinga Ita Drumont empossa nova diretoria e fortalece ações sociais

    Lions Clube Ipatinga Ita Drumont empossa nova diretoria e fortalece ações sociais

    9 de julho de 2026
  • BlackRock reduz investimentos em ações preferenciais da Usiminas

    BlackRock reduz investimentos em ações preferenciais da Usiminas

    9 de julho de 2026
  • Cantora galesa Bonnie Tyler morre em Portugal aos 75 anos

    Cantora galesa Bonnie Tyler morre em Portugal aos 75 anos

    9 de julho de 2026

2026 © CARTA DE NOTÍCIAS - Todos os Direitos Reservados. - Desenvolvido por: Lucca Tecnologia - Hospedado por: Onex Data Center

Gerenciar o Consentimento
Para fornecer as melhores experiências, usamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou acessar informações do dispositivo. O consentimento para essas tecnologias nos permitirá processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. Não consentir ou retirar o consentimento pode afetar negativamente certos recursos e funções.
Funcional Sempre ativo
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou com a finalidade exclusiva de efetuar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferências
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para o propósito legítimo de armazenar preferências que não são solicitadas pelo assinante ou usuário.
Estatísticas
O armazenamento ou acesso técnico que é usado exclusivamente para fins estatísticos. O armazenamento técnico ou acesso que é usado exclusivamente para fins estatísticos anônimos. Sem uma intimação, conformidade voluntária por parte de seu provedor de serviços de Internet ou registros adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou recuperadas apenas para esse fim geralmente não podem ser usadas para identificá-lo.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para criar perfis de usuário para enviar publicidade ou para rastrear o usuário em um site ou em vários sites para fins de marketing semelhantes.
  • Gerenciar opções
  • Gerenciar serviços
  • Gerenciar {vendor_count} fornecedores
  • Leia mais sobre esses objetivos
Ver Preferências
  • {title}
  • {title}
  • {title}
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Gerais
  • Colunistas
    • Mário Plaka
    • William Saliba
  • Opinião
    • Amauri Meireles
    • Flávia Presoti
    • Ricardo Ramos
    • Vitor Bizarro
  • Vídeos
  • Expediente
  • Fale Conosco
  • Login

2026 © CARTA DE NOTÍCIAS - Todos os Direitos Reservados. - Desenvolvido por: Lucca Tecnologia - Hospedado por: Onex Data Center

Not enough quota to unlock this post
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?