Por Mário Plaka (*)
Se o primeiro passo é reconhecer a cumplicidade do eleitor, o segundo é entender o jogo que está sendo jogado diante dos seus olhos.
E ele não é silencioso.
Ele é escancarado.
O Brasil assiste, mais uma vez, ao velho teatro político: partidos que passaram anos sustentando o mesmo governo agora vestem a fantasia da oposição. Discursos mudam. Posturas mudam. Palavras são recicladas.
Mas o poder… continua nas mesmas mãos.
Como explicar que grupos que estiveram lado a lado durante três anos e meio, ocupando ministérios, cargos estratégicos e estruturas do governo, agora se apresentem como “alternativa”? Como justificar que ainda mantenham influência, indicações e controle em diversos setores — e, ao mesmo tempo, tentem convencer o eleitor de que são diferentes?
Isso não é mudança.
É estratégia.
Estratégia para confundir.
Estratégia para dividir.
Estratégia para permanecer.
Enquanto isso, famílias inteiras se revezam no poder. Sobrenomes se repetem. Grupos políticos se fragmentam em partidos diferentes, criando uma falsa diversidade, quando na prática continuam defendendo os mesmos interesses.
Um está em um partido.
Outro, em outro.
Mas o comando segue unificado.
E o eleitor, muitas vezes, não percebe.
Ou pior: percebe e aceita.
O chamado “centrão”, que domina os bastidores do Congresso Nacional, não depende de ideologia — depende de conveniência. Está onde o poder está. Negocia, articula, sobrevive. E se fortalece justamente na confusão criada diante da população.
Enquanto isso, deputados e senadores que deveriam representar o povo se calam, se omitem ou participam diretamente desse sistema. Muitos chegam sem patrimônio e, ao longo dos anos, constroem fortunas incompatíveis com a realidade do cidadão comum.
E tudo isso acontece à vista de todos.
Por isso, não basta criticar apenas figuras específicas. Não basta apontar o dedo para um presidente da Câmara ou do Senado.
O problema é estrutural.
E ele se sustenta com votos.
Se o eleitor não romper esse ciclo — se continuar aceitando as mesmas figuras, os mesmos grupos, as mesmas manobras — nada muda.
É preciso parar de romantizar a política.
É preciso parar de ser ingênuo.
E, principalmente, é preciso assumir responsabilidade.
Porque quem sustenta esse sistema não é apenas quem está lá dentro.
É quem continua colocando eles lá.
Portanto, mais uma vez, com clareza e sem rodeios:
Ladrão não tem eleitor.
Ladrão tem cúmplice.























