Por Mário Plaka (*)
Há uma coisa que a mentira nunca consegue fazer: permanecer escondida para sempre. Ela pode ganhar manchetes, virar discurso político e ser compartilhada milhões de vezes. Pode convencer uma multidão por algum tempo. Mas não controla a realidade, porque a realidade não obedece à narrativa.
Cristo disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” Quem abandona a verdade perde o caminho e, cedo ou tarde, torna-se prisioneiro da mentira.
O problema é que a mentira deixou de ser apenas individual. No Brasil, virou instrumento político. Está nas narrativas eleitorais, nos discursos, na propaganda oficial, em governos e nas redes sociais.
Quanto mais a eleição se aproxima, mais o cidadão precisa tomar cuidado. O político que mente para conquistar o voto terá sempre uma segunda mentira para justificar a primeira. Uma mentira chama outra.
Veja o caso recente envolvendo a CPMI do INSS. Uma acusação gravíssima foi lançada publicamente contra Alfredo Gaspar. Houve negativa, versões diferentes e, posteriormente, novas declarações do denunciante, que passou a sustentar que a acusação teria sido forjada. O caso foi encaminhado para investigação, e Lindbergh Farias nega participação.
Não cabe a mim antecipar uma conclusão que compete à investigação. Mas cabe ao cidadão perguntar: por que uma acusação gravíssima precisa virar condenação pública antes que a verdade seja estabelecida? Reputação destruída não se reconstrói com a mesma velocidade de uma postagem.
Outro assunto que voltou ao debate é a Lei Maria da Penha. Eu não sou contra a lei. Violência contra a mulher é coisa séria e deve ser combatida com rigor. A legislação criou mecanismos importantes de proteção, inclusive medidas protetivas de urgência.
Mas defender a lei não significa defender qualquer uso que alguém faça dela. Lei nenhuma pode ser transformada em instrumento de vingança, perseguição ou fabricação de narrativa. Se uma mulher sofre violência, deve denunciar. Se um homem pratica violência, deve responder. Mas, se uma acusação for falsa, ela também precisa ser investigada e, quando comprovadamente dolosa, responsabilizada.
Justiça não pode ser construída sobre mentira. Uma sociedade que protege a mulher precisa também proteger a verdade. O homem falsamente acusado pode perder a tranquilidade, a reputação, o emprego e até a liberdade antes que os fatos sejam esclarecidos. Isso não significa ser contra a mulher. Significa ser a favor da justiça.
Da mesma forma, quando alguém é acusado politicamente, não pode ser condenado apenas porque a acusação ganhou as redes sociais. Primeiro vêm os fatos. Depois, a investigação. Depois, a prova. Só então, a conclusão. Esse princípio precisa valer para todos, inclusive para aqueles que ocupam o poder.
E aqui chegamos ao nosso velho conhecido: o mentiroso-mor. O presidente Lula é constantemente submetido à checagem de suas declarações. Levantamento recente da Lupa, por exemplo, apontou que boa parte das declarações de Lula analisadas pela agência foi classificada como falsa.
O problema é quando a checagem dos fatos revela um padrão. Uma hora aparece o documento, a gravação ou o resultado que contradiz a promessa. E a máscara começa a cair.
Isso vale para Lula e para qualquer pessoa. A verdade não tem partido. A mentira também não deveria ser protegida por partido.
O eleitor precisa compreender isso antes de entrar na cabine de votação. Não acredite simplesmente porque a televisão falou, porque o influenciador falou ou porque o seu grupo político compartilhou. Confira. Compare. Pesquise. Procure a declaração anterior. Veja o que foi prometido e o que foi entregue.
A Bíblia também é clara: “Não mintais uns aos outros.” A mentira não deve ser tratada como simples estratégia, muito menos na política.
Uma mentira pode ganhar uma eleição, derrubar uma reputação ou destruir uma família. Mas não consegue dominar a realidade para sempre.
É por isso que eu digo: a verdade uma hora aparece. Pode demorar, sofrer resistência, ser abafada, ridicularizada, chamada de fake news, censurada ou ignorada. Mas, se for verdade, continuará sendo verdade.
Quando finalmente aparecer, aqueles que passaram anos construindo versões terão de responder por aquilo que disseram. Não é preciso falar em “bomba”. A própria verdade é suficiente. Ela não precisa correr, gritar, fabricar números, inventar testemunhas ou criar uma narrativa para esconder outra. Ela simplesmente permanece.
E, quando a mentira encontra a realidade, a realidade vence. Pode levar tempo. Mas vence.
Por isso, meu amigo e minha amiga, neste período eleitoral, não entregue o seu voto àquele que precisa mentir para conquistar sua confiança. Procure a verdade. Porque quem conhece a verdade começa a se libertar, e quem escolhe viver na mentira acaba prisioneiro dela.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”























