Por Mário Plaka (*)
Aos candidatos e candidatas às eleições de 2026, ao Congresso Nacional, ao Governo Federal e aos futuros mandatários do Estado brasileiro: o Brasil enfrenta um problema que já não pertence ao futuro, mas ao presente. Milhares de carros e motos importados — em especial veículos elétricos — circulam pelo país. Portos foram abertos, incentivos concedidos, discursos ambientais proferidos. Mas uma pergunta crucial permanece sem resposta: para onde irão esses veículos quando se tornarem sucata?
A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que fabricantes e importadores são responsáveis pela destinação final dos produtos que colocam no mercado. No entanto, quando se trata de veículos automotores — que concentram metais pesados, óleos, plásticos complexos e baterias altamente poluentes — o Brasil não dispõe de um sistema federal robusto, obrigatório e transparente de logística reversa. O mundo já enfrenta esse dilema. A China é exemplo visível: pátios abarrotados de carros elétricos descartados, baterias abandonadas e passivos ambientais que recaem sobre o poder público e a sociedade.
Apesar disso, seguimos importando em larga escala sem exigir garantias ambientais de longo prazo, sem fundo de destinação final, sem acordos setoriais obrigatórios e sem um debate profundo no Senado e na Câmara dos Deputados. Em ano eleitoral, é justamente agora que essa discussão precisa sair da gaveta.
Aos candidatos que pedem o voto do povo brasileiro, ficam as perguntas: qual é sua proposta concreta para a logística reversa de veículos automotores? Como pretende responsabilizar fabricantes e importadores pela destinação final? Apoiará a criação de fundos garantidores ambientais para evitar que o custo recaia sobre o cidadão? Defenderá que importações estejam vinculadas a compromissos ambientais obrigatórios e fiscalizáveis? Está disposto a transformar discurso ambiental em prática legislativa e administrativa?
O Brasil já paga caro pela irresponsabilidade política: juros elevados, tributos excessivos, serviços precários e um povo sufocado. Esses problemas não surgiram do nada; são fruto de mandatos que prometeram e não cumpriram, de decisões tomadas sem responsabilidade com o futuro. Não aceitaremos mais discursos vazios. Não aceitaremos que problemas estruturais sejam empurrados para as próximas gerações. Não aceitaremos que o meio ambiente seja usado como slogan eleitoral enquanto a conta recai sobre o povo.
Voto é coisa séria. Mandato é responsabilidade. Meio ambiente não é propaganda. Os carros já estão aqui. O lixo futuro está sendo criado agora. A omissão também será lembrada. Que cada candidato saiba: a sociedade está observando, cobrando e registrando. Em 2026, o eleitor quer compromisso real, não promessa bonita. Com o futuro do Brasil não se brinca.























