Por Mário Plaka (*)
Começou a temporada eleitoral. E, junto com ela, surge uma estratégia que merece atenção: o candidato aparece, o número ganha destaque, mas o nome diminui. O partido quase desaparece, a federação fica escondida, as cores da legenda são abandonadas e o símbolo partidário some da propaganda. A pergunta é simples: por quê?
Quem pede o voto deveria ter orgulho de apresentar seu nome, sua legenda, sua história e as forças políticas que o acompanham. Afinal, partido tem história, ideologia, dirigentes, aliados, votações, acertos, erros e rejeições. E, justamente por isso, pode haver interesse em transformar o candidato em uma espécie de número ambulante. Mas eleitor não compra refrigerante. Ele escolhe quem vai exercer o poder público em seu nome.
Por isso, o número não pode substituir a identidade. Número não tem biografia, não vota projetos, não faz alianças, não ocupa cargos e não presta contas. Quem responde por tudo isso é o candidato.
E o problema ganha ainda mais importância em uma eleição marcada por investigações e escândalos que repercutem no país, como as denúncias envolvendo descontos indevidos no INSS e as investigações relacionadas ao Banco Master. É preciso deixar uma coisa clara: investigação não é condenação, processo não é sentença e ninguém deve ser condenado antecipadamente. Mas transparência também significa não esconder informações relevantes do eleitor.
Então, se o nome está pequeno, pergunte por quê. Se o partido desapareceu, pergunte por quê. Se a identidade da legenda foi apagada, procure saber o que está por trás dessa escolha.
E não são apenas os candidatos que precisam prestar atenção. Quem trabalha em uma campanha continua sendo cidadão. Receber por um trabalho eleitoral regular não transforma ninguém em criminoso, mas também não significa aceitar conscientemente uma estratégia destinada a ocultar informações relevantes do eleitor. Havendo indício de irregularidade, o caminho é questionar e procurar a Justiça Eleitoral.
No fim das contas, a responsabilidade maior é de quem vota.
Não vote pela fotografia. Não vote pelo tamanho do número. Não vote pelo slogan.
Descubra o nome. Descubra o partido. Conheça a federação, os aliados e a trajetória. Veja o que o candidato fez antes de aparecer sorrindo na propaganda. Pesquise suas posições, seus votos, seus cargos e sua atuação pública. E, quando encontrar investigações ou processos, saiba diferenciá-los de condenações definitivas.
Porque eleição não é concurso de fotografia. É escolha de representante. Quem quer o voto do povo precisa ter coragem de mostrar quem é.
Pode esconder o nome. Pode diminuir o partido. Pode apagar a cor. Pode fazer do número o protagonista. Mas não pode esconder para sempre a própria história.
E o eleitor não pode terceirizar a responsabilidade pelo próprio voto. Na urna, o número aparece. Mas a consequência do voto permanece.
Voto não tem preço. Voto tem consequência.























