Por Mário Plaka (*)
As imagens circularam pelas redes sociais e pela imprensa nesta semana. Um filho, tomado pela dor, destruiu uma unidade de saúde ao receber a notícia de que sua mãe havia morrido enquanto aguardava uma transferência hospitalar que não chegou a tempo. O caso aconteceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e chocou o país.
Nada justifica a depredação do patrimônio público. Mas também não podemos ignorar o desespero de quem acredita ter perdido um ente querido enquanto esperava por um atendimento que não veio.
Foi inevitável lembrar da expressão popular da República Democrática do Congo conhecida como “Artigo 15”. Não é um artigo da Constituição, mas uma filosofia de sobrevivência: “Vire-se. Não espere pelo Estado.”
Essa ideia nasceu quando boa parte da população deixou de acreditar que o poder público conseguiria atender às suas necessidades mais básicas.
Muitos brasileiros têm a sensação de que estamos caminhando na mesma direção. Quando a saúde demora, quando obras públicas ficam inacabadas, quando estradas permanecem em más condições e serviços essenciais não correspondem à expectativa de quem paga impostos, cresce a percepção de que o cidadão precisa resolver sozinho aquilo que deveria contar com uma resposta eficiente do Estado.
Essa reflexão não é um convite ao conformismo. É um alerta.
Um país não pode normalizar a ideia de que cada cidadão deve simplesmente “se virar”. O Estado existe para servir à sociedade, especialmente nos momentos em que ela mais precisa.
O episódio de Duque de Caxias não deve ser visto apenas como um ato de revolta. Deve servir como um chamado para que governos, gestores públicos e toda a sociedade reflitam sobre a urgência de oferecer serviços públicos dignos, eficientes e humanos.
Porque, quando um povo deixa de confiar que será amparado pelo Estado, algo muito mais grave do que uma obra malfeita ou uma fila de hospital está em risco: a própria confiança nas instituições.























