Por Mário Plaka (*)
O Executivo brasileiro não nasceu do nada. Ele foi sendo moldado, ao longo de décadas, por um Legislativo permissivo e por um Judiciário que, muitas vezes, fecha os olhos para abusos, excessos e desvios. O resultado disso é um Executivo inchado, caro, distante do povo e, em muitos momentos, desconectado da realidade das ruas.
O Poder Executivo começa lá no município, com o prefeito, passa pelos governadores e chega ao presidente da República. Em todas essas esferas, o que se repete é o mesmo modelo: salários elevados, estruturas gigantescas, milhares de cargos comissionados, assessores, secretarias, ministérios, autarquias, fundações, estatais e uma máquina que nunca encolhe — apenas cresce.
Cada prefeito não custa apenas o salário que aparece no portal da transparência. Ele custa secretários, subsecretários, diretores, coordenadores, chefes de gabinete, assessores e toda uma estrutura administrativa direta e indireta. O mesmo vale para governadores e, em escala muito maior, para o presidente da República, que comanda uma máquina federal composta por ministérios, estatais, bancos públicos, agências reguladoras e milhares de cargos de confiança.
E, assim como no Judiciário e no Legislativo, essa conta não se limita aos que estão na ativa. O Executivo também carrega um peso permanente de aposentados e pensionistas, muitos com salários integrais e benefícios vitalícios, perpetuando um custo que atravessa gerações e recai sempre sobre o contribuinte.
Estamos falando de centenas de bilhões de reais por ano para manter o Executivo funcionando em todas as esferas. E aqui, mais uma vez, é preciso deixar claro: esse é o custo legal, institucional, orçamentário.
Sem entrar, ainda, no mar de corrupção, desperdício, má gestão, obras inacabadas, contratos suspeitos e aparelhamento político que historicamente cercam o Executivo brasileiro.
Mas o problema não é apenas financeiro. O problema é moral, institucional e social.
O que o povo brasileiro tem visto, em muitos momentos, é quem está no comando zombar da cara do povo, falar de forma esdrúxula, desrespeitosa e irresponsável. Discursos que desdenham da educação, que relativizam valores, que tratam com desprezo temas sensíveis e que não demonstram qualquer compromisso com a elevação cultural, moral e cívica da nação.
Enquanto falam em soberania, entregam o país. Entregam reservas naturais. Entregam riquezas estratégicas. Entregam o futuro.
Abrem o Brasil para países e interesses estrangeiros que não vêm para somar, não vêm para construir, vêm apenas para explorar, como tantas vezes aconteceu ao longo da nossa história. Falam em parceria, mas o que se vê é submissão. Falam em desenvolvimento, mas o que se entrega é dependência.
O Executivo, que deveria ser o motor do desenvolvimento, muitas vezes se transforma em instrumento de destruição: destrói a confiança do povo, destrói o respeito institucional, destrói a dignidade, enfraquece a família, relativiza valores e mina o amor à pátria.
E tudo isso sendo pago com o dinheiro do povo.
Esse é o Custo Brasil no Executivo:
– não apenas o custo que aparece no orçamento;
– mas o custo invisível da perda de identidade;
– da perda de respeito próprio;
– da perda de esperança.
Por isso, mais uma vez, é preciso dizer com todas as letras: voto não tem preço, voto tem consequência. Cada escolha feita na urna define quem vai comandar essa máquina poderosa. Define se ela será usada para construir ou para destruir.
Este texto não é um ataque pessoal. É um alerta. Um chamado para que o povo brasileiro pare, reflita e entenda que Executivo não é trono, é serviço. Quem governa deve servir. Quem governa deve respeitar. Quem governa deve proteger o país — e não entregá-lo.
Esse é mais um capítulo da série O Custo Brasil.
Depois de Judiciário, Legislativo e Executivo, fica cada vez mais claro: o problema não é o povo. O problema é permitir que poucos decidam muito, gastem demais e prestem de menos.
O Brasil ainda tem saída. Mas ela começa pela consciência.























