Por Mário Plaka (*)
“O que eu tenho a ver com isso?” — é assim que começa o raciocínio do analfabeto político. A violência está na porta, na rua, no bairro, na cidade, mas ele não se importa. Não se considera violento, cuida apenas dos próprios afazeres e acredita que isso basta. Fecha os olhos para o que acontece ao redor e chama essa omissão de responsabilidade individual.
A saúde pública está em colapso: o SUS carece de remédios, médicos e estrutura. Para o analfabeto político, isso não é problema dele. Alimenta-se bem, corre, sente-se saudável e, se um dia precisar, acredita que “dá um jeito”. Sempre dá. Para ele, basta improvisar.
O custo de vida sobe, a inflação corrói salários, o povo aperta o cinto. O analfabeto político preocupa-se apenas com o próprio bolso. Se houver comida simples, está bom; se houver fruta, come; se não houver, “dá-se um jeito”. Vive anestesiado, adaptado à escassez, convencido de que sobreviver é o mesmo que viver.
Convive diariamente com o morador de rua jogado na calçada, com o menor abandonado fora da escola, sem proteção e sem futuro. Assiste à prostituição banalizada, ao vício tratado como paisagem urbana, à miséria crescente transformada em estatística. Tudo isso se torna normal, rotina. Esse é o discurso que o analfabeto político propaga — e é exatamente esse discurso que sustenta ladrões da nação, corruptos sistêmicos e quadrilhas organizadas, muitas vezes suprapartidárias, que drenam o país por dentro. Ele não se importa com quem rouba, desde que ainda reste algo para si. Não se importa com a distorção do sistema, pois acredita que, quando faltar, improvisa.
Mas o que o analfabeto político esquece é simples e devastador: ao lado dele há pessoas, perto dele há famílias, próximo dele há alguém sendo esmagado agora. Sua indiferença ajuda a manter tudo exatamente como está. Ele não se importa com a violência normalizada, com a economia fragilizada, com a degradação social que avança lentamente. Vai aceitando, vai se acostumando, vai se rendendo, vai sendo moldado.
Foi assim em outros lugares: na Venezuela, na Argentina, em países da África, em Cuba. Cuba, que já foi referência em turismo e crescimento econômico, hoje anuncia não ter combustível sequer para suas aeronaves. A explicação oficial aponta fatores externos, mas permanece a reflexão: até que ponto a ausência de autocrítica interna contribuiu para esse cenário? O que aconteceu nesses países foi apenas um acidente histórico? Ou houve um projeto de poder construído ao longo do tempo? O socialismo e o comunismo chegaram sem intenção de controle político? Ou houve sedução de lideranças, enfraquecimento das instituições, deterioração da segurança jurídica e concentração de poder nas mãos de poucos?
O povo aceitou. Alguns por medo. Outros por conveniência. Muitos por indiferença política. E é aqui que reside o ponto central: em uma democracia, o poder emana do voto. E o analfabeto político vota. Ele é, portanto, corresponsável. Não apenas vítima. É quem produz os políticos que destroem uma nação. É o voto inconsequente, indiferente ou negociado que sustenta sistemas corruptos, governos ineficientes e projetos de poder autoritários.
Acorda, eleitor brasileiro. Ainda há tempo de despertar. As peças estão se movendo. Grupos políticos de orientação socialista, comunista e progressista se articulam para se manter no poder, onerando o trabalhador, sufocando o empreendedor e, ao final, empobrecendo toda a sociedade. Esta eleição será um divisor de águas. Se o eleitor votar com indiferença, se trocar o futuro da nação por benefício imediato, favor político ou conveniência pessoal, não deve se enganar: não será apenas cúmplice. Esta geração de indiferentes e analfabetos políticos fará parte ativa do processo de destruição do país.
A indiferença não é neutra. Ela escolhe um lado.























