Por Mário Plaka (*)
Antes de chegar a Brasília, às capitais dos estados ou mesmo ao comando de uma pequena cidade, quase todos os políticos parecem santos. São pessoas educadas, humildes, que batem à porta das nossas casas, visitam nossas cidades, apertam nossas mãos e fazem promessas apaixonadas de amor ao povo.
Juram respeito à Constituição, juram respeito às leis e prometem que estarão sempre ao lado da população.
Antes de tomar posse, são exemplos de virtude.
Acontece também com aqueles que chegam aos altos cargos da República. Antes de serem sabatinados pelo Congresso Nacional, apresentam-se como homens e mulheres de reputação ilibada, defensores da democracia e guardiões da lei. Antes de assumirem cargos em estatais, ministérios ou secretarias, são descritos como técnicos competentes, pessoas equilibradas e comprometidas com o interesse público.
Muitos, inclusive, investem pesado para que suas bases políticas nos municípios falem bem deles, construindo uma imagem quase perfeita diante da população.
Mas depois que chegam ao poder, o que vemos?
O que vemos é algo completamente diferente.
Vemos uma engrenagem que parece funcionar como uma verdadeira orquestra de destruição institucional. Quando não é parte do Senado criando conflitos e crises, é parte da Câmara Federal. Quando não é o presidente de uma casa legislativa agindo para proteger interesses internos, são grupos organizados que operam para manter privilégios.
E esse comportamento não fica apenas em Brasília.
Ele se espalha pelos estados e pelos municípios, contaminando governos, assembleias legislativas e câmaras de vereadores.
Os ataques que o povo brasileiro vem sofrendo não parecem episódios isolados. Muitas vezes dão a impressão de serem ações coordenadas, que atingem a soberania nacional, o Estado, a Constituição e, principalmente, o próprio povo.
Em certos momentos, até mesmo dentro das instituições mais altas da República, surgem atitudes que levantam questionamentos. Não se trata de atacar instituições, que são fundamentais para a democracia, mas de reconhecer que indivíduos dentro delas podem agir de forma contrária ao espírito das leis que juraram defender.
O que era para ser um compromisso com a Constituição acaba sendo substituído por posturas corporativas, como se certos espaços de poder fossem clubes fechados — onde uns defendem os outros, independentemente do impacto que isso cause à população.
O mesmo acontece na política tradicional. Muitas vezes vemos a lógica do “vamos proteger os nossos”, enquanto o cidadão comum segue pagando a conta.
Assim são muitos políticos antes de chegar ao poder: parecem pessoas extraordinárias.
Mas existe um antigo ditado que resume bem essa realidade:
“Quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela.”
E o problema maior é que certos poderes, uma vez conquistados, tornam-se extremamente difíceis de serem retirados das mãos de quem os ocupa. Muitos lutam desesperadamente para permanecer onde estão.
Mesmo que isso custe lágrimas.
Mesmo que isso custe sofrimento ao povo.
Mesmo que isso custe o futuro de uma nação.
Por isso, a responsabilidade do eleitor é enorme. Antes de colocar qualquer pessoa no poder, é preciso analisar profundamente quem são essas pessoas, quais são suas trajetórias e quais interesses realmente representam.
Esse exame precisa ser feito com seriedade nas próximas escolhas políticas — para deputado estadual, senador da República, governador e presidente.
Caso contrário, podemos perder mais uma vez a oportunidade de virar a chave da história e mudar o rumo desta nação.
Uma nação que, infelizmente, parece descer cada vez mais fundo no poço quando o poder deixa de servir ao povo e passa a servir apenas a si mesmo.
“Voto não tem preço, tem consequencias”.























