Por Mário Plaka (*)
O Brasil sustenta um dos sistemas judiciais mais caros do planeta. Todos os anos, o Poder Judiciário consome algo em torno de R$ 146 bilhões do dinheiro público. Um valor tão alto que, para se ter ideia da dimensão, supera o orçamento anual da imensa maioria das cidades brasileiras.
Em um país com cerca de 5.570 municípios, mais de 90% deles têm orçamento menor do que o custo total do Judiciário nacional. Em outras palavras: manter a máquina judicial brasileira custa mais do que manter centenas de cidades inteiras funcionando — com escolas, postos de saúde, coleta de lixo, transporte público, iluminação e assistência social.
E quem paga essa conta?
O mesmo cidadão que acorda cedo, pega ônibus lotado, enfrenta fila em hospital público e vê o salário desaparecer entre impostos e custo de vida.
É o trabalhador brasileiro que sustenta essa estrutura.
Mas a pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: se a Justiça custa tanto, por que ela chega tão pouco e tão tarde para quem mais precisa?
A insegurança jurídica virou um sentimento coletivo. Não se limita ao empresário que teme investir sem saber como a lei será interpretada amanhã. Ela atinge, principalmente, o cidadão comum — aquele que depende da Justiça para garantir direitos básicos.
É o idoso que precisa de uma aposentadoria e passa anos esperando uma decisão.
É a família que entra na Justiça para conseguir um medicamento de alto custo.
É o paciente que precisa de uma cirurgia e depende de uma ordem judicial para ser atendido.
Muitas vezes, quando a decisão finalmente chega, ela chega tarde demais.
A doença avançou.
O sofrimento se prolongou.
Em alguns casos, a pessoa já não está mais aqui para receber aquilo que deveria ter sido garantido em vida.
Esse é o drama silencioso de milhares de brasileiros.
Ao mesmo tempo, cresce a sensação de que o Judiciário, em determinadas situações, atravessa fronteiras que deveriam pertencer ao Legislativo ou ao Executivo. Em vez de apenas interpretar a lei, passa a criar caminhos políticos que deveriam ser decididos pelo voto e pelo debate democrático.
E quando decisões que afetam milhões de pessoas são tomadas sem que essas pessoas tenham qualquer forma direta de participação, nasce um sentimento perigoso: o distanciamento entre as instituições e o povo que as sustenta.
Não se trata de atacar a Justiça. Nenhuma democracia sobrevive sem ela. Mas também não é saudável fingir que tudo funciona perfeitamente quando a realidade mostra outra coisa.
Justiça não pode ser apenas uma estrutura cara, cercada de formalidades e prédios imponentes.
Justiça precisa ser rápida, acessível e humana.
Porque, no final das contas, o verdadeiro tribunal da democracia é o olhar do povo. E esse povo começa a se perguntar, cada vez mais alto: como pode um sistema que custa mais do que centenas de cidades ainda deixar tantos brasileiros esperando por justiça?
Essa pergunta não é um ataque às instituições.
É um pedido de reflexão.
E talvez seja também um alerta.























