Por Mário Plaka (*)
Não é exagero perguntar se, para sobreviver na política brasileira, é preciso abdicar da moral. O que se vê, eleição após eleição, não são políticas públicas estruturantes, mas projetos cuidadosamente desenhados para promover grupos políticos, manter dependência e fabricar gratidão artificial.
Chamam de “social”, mas não libertam. Chamam de “ajuda”, mas não resolvem. O nome correto disso é assistencialismo eleitoreiro.
O povo precisa parar. Precisa observar com atenção a armadilha que se esconde por trás desses projetos promocionais. Eles não nascem para tirar ninguém da miséria, mas para manter pessoas presas a um sistema, enquanto políticos estampam seus nomes, partidos e slogans como se fossem benfeitores da nação.
O Vale Gás, da forma como foi estruturado, é um exemplo claro disso. O recurso poderia chegar diretamente ao cidadão, com liberdade de escolha, concorrência justa e respeito à dignidade. Mas o que foi feito? Criou-se um modelo credenciado, amarrado a grupos específicos, politicamente alinhados, transformando um benefício em instrumento de controle eleitoral.
Não é política social. É amarração. É dependência social.
Quem vota contra esse tipo de projeto não está sendo contra o povo — está sendo contra a exploração da pobreza como moeda política. Porque ajudar de verdade é investir em educação, emprego, saúde, segurança e autonomia. O resto é maquiagem de ano eleitoral.
O problema se agrava quando esse mesmo Estado inverte completamente suas prioridades morais. Famílias de vítimas esquecidas, trabalhadores abandonados, enquanto criminosos condenados recebem assistência contínua, muitas vezes maior do que a renda de quem vive honestamente. Isso não é justiça social — é desordem moral institucionalizada.
E não para por aí. O país virou palco de uma prática ainda mais cínica: “projetos sociais” criados não para servir à sociedade, mas para autopromoção pessoal e política. Viraram vitrines de ego, ferramentas de marketing, trampolins eleitorais. A causa social vira cenário; o povo vira figurante.
Projeto social que não emancipa, não transforma e não respeita a liberdade do cidadão não é social — é político.
E aqui entra a responsabilidade individual, que muitos insistem em ignorar.
Se você apoia toda essa pilantragem política que existe no Brasil, toda essa armação, se você apoia o que está acontecendo neste país no que diz respeito à insegurança jurídica, à exploração da pobreza e à perseguição de quem trabalha, produz e sustenta essa nação, então é preciso dizer com clareza:
O problema não é apenas o governo.
O problema é você.
O problema do Brasil é você.























