Por Mário Plaka (*)
Muito se fala hoje sobre castidade, sexo, prazer e liberdade. Pouco se fala sobre responsabilidade. E é justamente aí que a discussão se perde — tanto no campo teológico quanto no político.
A Bíblia nunca tratou o sexo como pecado em si. Isso é uma distorção histórica, criada por leituras moralistas que se afastaram do contexto original do texto bíblico. O sexo não nasce após o pecado, ele nasce na criação. É bom, é prazeroso e é parte constitutiva da vida humana. O pecado não criou o sexo; o pecado desorganizou as relações.
Quando a Bíblia fala em castidade, ela não está propondo repressão do corpo, mas disciplina do desejo. Castidade, no sentido bíblico, é o oposto da irresponsabilidade. É entender que o corpo não é uma máquina de uso imediato, nem o outro é um objeto descartável.
O problema contemporâneo é que se vende a ideia de que basta “se proteger” para que tudo esteja resolvido. Políticas públicas, especialmente em períodos como o Carnaval, reforçam isso: distribui-se preservativo como se a questão central fosse apenas evitar doenças sexualmente transmissíveis. Evidentemente, prevenir doenças é importante. Mas isso é tratar o efeito, não a causa.
A causa é mais profunda: o uso do corpo sem compromisso, o prazer sem responsabilidade futura, o coito sem qualquer consideração pelo depois.
Quando se incentiva a ideia de que, usando preservativo, “pode tudo”, o que se faz não é educar para o respeito ao corpo, à alma e ao espírito. O que se faz é normalizar a lógica do descarte: usa-se hoje, abandona-se amanhã. E isso vale para homens e mulheres.
Sexo gera consequências. Sempre gerou. Não apenas biológicas, mas emocionais, sociais e espirituais. A Bíblia sempre soube disso. A modernidade finge que não.
Não é coincidência que, ao mesmo tempo em que se banaliza o sexo, cresce o número de crianças sem referência paterna, famílias desestruturadas e lares marcados por abandono. O discurso raso da chamada “mãe solo” é um exemplo claro disso. Não se enfrenta a raiz do problema; apenas se administra o estrago depois que ele já aconteceu.
Não se trata de culpar mães — muitas carregam sozinhas um peso que nunca deveria ser apenas delas. Trata-se de questionar um modelo cultural que absolve a irresponsabilidade masculina, normaliza o abandono e depois tenta resolver tudo com programas assistenciais.
Quando o pai some, não some apenas uma figura econômica. Some uma referência de proteção, de limite, de identidade. E o preço disso é pago pelas crianças — muitas vezes expostas a abusos, violência e ausência de pertencimento.
É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas moral ou teológica e passa a ser política.
O assistencialismo estatal, quando não vem acompanhado de uma política séria de responsabilidade, acaba funcionando como um cabresto ideológico. Ao invés de enfrentar a causa — a irresponsabilidade sexual e relacional — o Estado passa a administrar as consequências e, pior, a se beneficiar politicamente delas.
Quando um ministro sobe à tribuna para exaltar programas como o Vale Gás voltado às chamadas “mães solo”, sem jamais tocar na raiz do problema, o que se vê é um discurso raso, conveniente e perigoso. Não porque ajudar seja errado, mas porque ajudar sem responsabilizar perpetua o ciclo. Transforma o abandono em estatística, o descaso em narrativa e o auxílio em instrumento de fidelização política.
Essa lógica não educa, não emancipa e não protege. Ela normaliza o descarte humano em nome de uma ideologia que precisa de dependência para se sustentar.
Distribuir preservativo, criar benefícios pontuais e repetir slogans não resolve a crise do corpo, da família e da responsabilidade social. Isso apenas mascara a realidade e empurra o problema para a próxima geração.
Este texto nasceu de uma conversa simples, cotidiana. Alguém me parou na rua para perguntar sobre castidade, sobre preservação, sobre por que a juventude de hoje parece não se respeitar. A resposta não veio de tratados teológicos nem de discursos ideológicos, mas da observação da realidade: quem não se respeita, não respeita ninguém.
Castidade não é caretice. É maturidade.
Não é repressão. É consciência.
Não é negação do prazer. É responsabilidade pelo depois.
O problema nunca foi o sexo.
O problema sempre foi a irresponsabilidade travestida de liberdade, reforçada por leituras teológicas distorcidas e por políticas públicas que preferem administrar o caos a enfrentar a verdade.























