Uma autoridade do governo do Irã afirmou nesta terça-feira (13) que aproximadamente duas mil pessoas morreram durante os protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas. A declaração marca a primeira vez que representantes oficiais reconhecem um número tão elevado de vítimas desde o início da repressão às manifestações.
Segundo a fonte, que falou à agência Reuters sob condição de anonimato, o total de mortos inclui manifestantes e integrantes das forças de segurança. Não houve, porém, detalhamento sobre a identidade ou o perfil das vítimas. O governo iraniano atribuiu as mortes à atuação de grupos classificados como “terroristas”, responsabilizando-os tanto pelos óbitos de civis quanto de agentes estatais.
Os protestos tiveram início em meio ao agravamento das condições econômicas e se tornaram o maior desafio interno ao regime iraniano ao menos desde 2022. A onda de manifestações ocorre em um cenário de crescente pressão internacional, intensificada após ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos no ano passado, segundo autoridades iranianas.
Desde o começo da crise, o governo adotou uma estratégia dupla. Lideranças religiosas reconheceram publicamente a legitimidade de queixas relacionadas à situação econômica, mas, ao mesmo tempo, reforçaram a atuação das forças de segurança para conter os atos. Washington e Tel Aviv foram acusados de estimular a instabilidade, enquanto participantes não identificados foram apontados como responsáveis por desvirtuar os protestos.
Organizações independentes de direitos humanos vinham apresentando números inferiores aos agora citados pelo governo. Levantamentos anteriores apontavam mais de 500 mortos e ao menos 10 mil pessoas presas em decorrência das manifestações. Entidades afirmam que o acesso limitado a informações dificulta a verificação dos dados.
As restrições impostas à comunicação, incluindo bloqueios temporários da internet, têm comprometido o fluxo de notícias dentro e fora do país. Ainda assim, imagens divulgadas nas redes sociais e vídeos verificados pela Reuters mostram confrontos noturnos entre manifestantes e forças de segurança, com registros de disparos, veículos incendiados e prédios em chamas.
A situação segue em evolução, enquanto a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos da crise e o impacto da repressão sobre a população civil.























