O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (15) um novo pacote de sanções contra integrantes da cúpula de segurança do Irã e contra redes financeiras acusadas de lavar recursos bilionários provenientes da exportação de petróleo. Washington afirma que os alvos estariam envolvidos na repressão a protestos antigovernamentais e em operações de “banco paralelo” usadas para contornar restrições internacionais.
Segundo comunicado do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, as medidas foram adotadas após semanas de manifestações no país persa, descritas por autoridades dos EUA como as maiores desde a criação da República Islâmica. Embora os atos tenham perdido intensidade nos últimos dias, o governo americano aponta que a diminuição estaria ligada ao uso da força por parte das autoridades iranianas e a um apagão de internet que já dura cerca de uma semana.
Entre os nomes incluídos na lista de sanções está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. De acordo com o Tesouro dos EUA, ele teria papel central na coordenação das ações de repressão e no incentivo ao emprego de força contra manifestantes.
Também foram atingidos quatro comandantes regionais das Forças de Segurança do Estado e da Guarda Revolucionária, acusados de comandar operações nas províncias de Lorestan e Fars. O governo americano afirma que há relatos de mortes de civis durante as ações e de hospitais sobrecarregados por feridos com armas de fogo, o que estaria comprometendo o atendimento a outros pacientes.
No campo financeiro, as sanções alcançam 18 pessoas e empresas suspeitas de integrar redes internacionais de lavagem de dinheiro. Segundo Washington, o esquema utiliza companhias de fachada e casas de câmbio em países como Emirados Árabes Unidos, Singapura e Reino Unido para movimentar recursos oriundos da comercialização de petróleo iraniano, somando bilhões de dólares por ano.
As medidas determinam o bloqueio de bens nos Estados Unidos pertencentes aos sancionados e proíbem cidadãos e empresas americanas de manter relações comerciais com eles. Bancos e instituições estrangeiras que realizarem transações com os alvos também podem ser penalizados com sanções secundárias.
O novo pacote reforça a estratégia de “máxima pressão” adotada pela administração do presidente Donald Trump em relação ao Irã. De acordo com dados do Tesouro, apenas em 2025 mais de 800 pessoas, embarcações e aeronaves já foram incluídas em listas restritivas no âmbito dessa política.
Paralelamente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência para discutir a situação interna no país. A movimentação ocorre em meio a declarações do presidente dos EUA de que a repressão estaria diminuindo e de que Teerã teria suspendido execuções de manifestantes, o que contribuiu para uma queda nos preços do petróleo no mercado internacional.
O cenário de tensão se intensificou na véspera, quando o Irã fechou temporariamente seu espaço aéreo e o Reino Unido anunciou a retirada de todo o seu corpo diplomático de Teerã por motivos de segurança. Na região, Egito e Arábia Saudita lideram iniciativas diplomáticas com o objetivo de evitar uma escalada militar, enquanto o governo do líder supremo Ali Khamenei enfrenta um dos períodos mais desafiadores em décadas.























