O clima de tensão dentro do Partido Novo se intensificou nos últimos dias após declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Integrantes da ala conservadora da legenda passaram a discutir internamente a possibilidade de romper politicamente com Zema e até impedir uma eventual candidatura presidencial do ex-governador em 2026.
Segundo relatos de bastidores, dirigentes nacionais, parlamentares e aliados próximos ao ex-governador participaram de reuniões reservadas nos últimos dias para tentar conter o desgaste provocado pelas críticas direcionadas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação de integrantes ligados ao bolsonarismo é de que Zema teria ultrapassado o limite ao transformar Flávio em alvo frequente de ataques públicos.
A crise ganhou força após a divulgação de um vídeo em que o ex-governador faz críticas ao senador. A publicação ocorreu na esteira da repercussão de reportagens envolvendo supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Nos bastidores do Novo, entretanto, dirigentes afirmam que o desconforto não se resume a um episódio isolado. A percepção entre membros da ala conservadora é de que o comportamento de Zema passou a representar um padrão de enfrentamento político ao grupo bolsonarista, o que estaria provocando desgaste dentro da própria sigla.
Aliados de Flávio Bolsonaro acusam o ex-governador mineiro de contribuir para ampliar críticas ao senador em um momento considerado sensível para o campo conservador. Parte dessas lideranças entende ainda que Zema estaria sendo explorado politicamente por setores da imprensa interessados em enfraquecer o parlamentar.
O impasse também reacendeu discussões sobre o posicionamento ideológico do Novo. Integrantes do partido afirmam que muitos quadros conservadores ingressaram na legenda após receberem sinalizações de que não haveria um novo rompimento com o bolsonarismo, cenário que, segundo esse grupo, estaria sendo colocado em risco pelas recentes declarações do ex-governador.
Em estados onde alianças entre Novo e PL são consideradas estratégicas para 2026, a crise já provoca preocupação. No Paraná, por exemplo, lideranças articulam um palanque conjunto envolvendo o senador Sergio Moro, além de nomes como Deltan Dallagnol e Filipe Barros. O grupo defende alinhamento ao projeto presidencial ligado ao bolsonarismo.
Nos encontros internos recentes, interlocutores ligados à ala conservadora relataram ter feito um alerta direto ao entorno de Zema: as críticas ao senador poderiam prejudicar candidatos identificados com o eleitorado bolsonarista e comprometer o desempenho eleitoral do Novo em 2026, especialmente no esforço para atingir a cláusula de barreira.
Diante do avanço da crise, dirigentes do partido passaram a defender publicamente que o ex-governador recue das críticas. Caso isso não aconteça, integrantes da legenda já admitem discutir a retirada de apoio a uma eventual candidatura presidencial de Romeu Zema.























