O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, em decisão definitiva, a compra pela Ternium das participações remanescentes da Nippon Steel Corporation e da Mitsubishi Corporation na Usiminas. A aprovação sem condicionantes encerra a análise concorrencial e abre caminho para a conclusão da operação, que promove uma mudança relevante na estrutura acionária da companhia.
A transação envolve a aquisição, pela Ternium, de todas as ações ordinárias da Usiminas detidas pelas duas empresas japonesas, que integravam um acordo de acionistas firmado em 2023. O preço estabelecido no acordo foi de US$ 2,06 por ação ordinária, o que representa um desembolso total estimado em cerca de US$ 315,2 milhões, referentes a aproximadamente 153,1 milhões de ações. Segundo informações divulgadas pela companhia, o pagamento será feito integralmente com recursos próprios.
Em comunicado ao mercado, a Usiminas informou que continuará atualizando acionistas e investidores sobre os próximos passos da operação, incluindo o cumprimento das condições precedentes e a etapa final de fechamento do negócio.
Ao avaliar a operação, o Cade examinou eventuais impactos sobre a concorrência no setor siderúrgico brasileiro, como a possibilidade de concentração de mercado ou restrições à atuação de outros agentes. O aval sem exigências indica o entendimento de que a transação não gera efeitos negativos relevantes à competição.
MUDANÇA NO CONTROLE E GOVERNANÇA
Com a conclusão do negócio, a Nippon Steel deixa de integrar o grupo de controle e o acordo de acionistas da Usiminas, encerrando uma participação histórica. A siderúrgica japonesa esteve ligada à empresa desde sua fundação, há mais de seis décadas. Criada com apoio de capital e tecnologia do Japão, a Usiminas foi inaugurada em 1962, no então distrito de Ipatinga, à época pertencente a Coronel Fabriciano, região que posteriormente ficaria conhecida como Vale do Aço.
Apesar da saída do Grupo NSC do bloco de controle, os direitos de voto e de indicação previstos na estrutura societária não sofrerão alterações, conforme informado pela companhia.
HISTÓRICO DA TERNIUM NA USIMINAS
A Ternium ingressou no capital da Usiminas em 2011, quando adquiriu participações que pertenciam à Camargo Corrêa e à Votorantim, que juntas detinham 26% das ações com direito a voto, além de parte dos papéis do fundo de empregados da empresa. Desde então, o grupo vem ampliando sua presença na siderúrgica mineira.
A operação também contou com o consentimento da Previdência Usiminas e dos demais integrantes do chamado Grupo T/T — Ternium Argentina S.A., Prosid Investments S.A. e Confab Industrial S.A. — que optaram por não exercer o direito de preferência na transação.
Com o aval do Cade e os consentimentos societários já obtidos, a operação avança para as etapas finais, marcando um novo capítulo na composição acionária e na governança da Usiminas.























