Por Mário Plaka (*)
Existe um tema que muitos evitam tocar, mas que precisa ser dito com coragem: muitas das tragédias que recaem sobre nossos filhos começam dentro de casa. Não é confortável admitir isso, mas é necessário. A responsabilidade dos pais não termina no alimento, na roupa ou no teto. Ela começa, de fato, na formação do caráter, da autonomia e da capacidade de enfrentar o mundo como ele é — duro, injusto e, muitas vezes, cruel.
Muitos pais se escondem atrás da justificativa do trabalho excessivo. Trabalham muito, dizem, para sustentar a casa. E é verdade. Mas ausência emocional também educa — e educa mal. Da mesma forma, há mães que não estavam preparadas para serem mães, embora sejam mães de fato. A maternidade exige algo difícil: saber a hora de segurar a mão do filho e, principalmente, saber a hora de soltá-la. Filho não cresce sob superproteção. Cresce sob responsabilidade.
Existe uma diferença clara entre amor e dependência. O amor prepara. A dependência enfraquece. E quando a proteção se transforma em escudo contra toda consequência, o resultado é previsível: formam-se adultos frágeis, incapazes de lidar com frustração, limites e escolhas. Uma geração fraca se torna presa fácil. Fácil para o crime, para a malandragem, para ideologias prontas, para discursos fáceis e para todo tipo de maldade que se aproveita da ingenuidade de quem nunca foi preparado para o mundo real.
Costumo contar uma história que já levei a diversas palestras. Um homem condenado à morte pediu, como último desejo, um abraço e um beijo em sua mãe, a sós. A imprensa transformou aquilo em espetáculo, exaltando o amor eterno entre mãe e filho, justamente às vésperas do Dia das Mães. Quando ficaram sozinhos, aquele homem — forte, endurecido pela prisão — abraçou a mãe e começou a estrangulá-la, mordendo seu pescoço com violência. Contido pelos guardas, foi questionado sobre o motivo. A resposta foi simples e devastadora: “Quem me condenou não foi o Estado. Foi a minha mãe. Toda vez que eu roubava, ela escondia. Toda vez que eu errava, ela culpava os outros. Ela nunca me deixou enfrentar as consequências”.
A história é brutal, mas revela uma verdade incômoda: a superproteção também destrói. Não preparar um filho para o mundo é empurrá-lo, indefeso, para um mundo que não perdoa. O que vemos hoje no Brasil — e em outros países — é uma degradação humana disfarçada de virtude. Pais que confundem amor com permissividade. Filhos que confundem opinião com repetição. Jovens que defendem ideias que não conhecem, países que nunca estudaram, regimes que nunca viveram.
Quando vemos jovens defendendo o socialismo sem saber o que ele produziu na Venezuela, em Cuba ou em tantos outros lugares, não é apenas ignorância política — é falha de formação. Quando vemos jovens defendendo o aborto como bandeira ideológica, sem perceber a contradição básica de que, se essa lógica tivesse sido aplicada no passado, eles próprios não existiriam, estamos diante de um vazio moral perigoso. Isso não nasce do nada. Isso é construído — ou melhor, mal construído — dentro de casa.
Planejamento familiar não é apenas decidir ter filhos. É decidir como formá-los. É entender que ser pai e mãe não é um ato biológico, é uma missão moral. O mundo já é pesado demais para que entreguemos a ele jovens despreparados, emocionalmente frágeis e intelectualmente manipuláveis. Pais precisam parar de terceirizar a educação, a formação de valores e a responsabilidade. E filhos precisam entender que crescer dói, mas é necessário.
Se não ensinarmos nossos filhos a pensar, alguém pensará por eles. Se não ensinarmos nossos filhos a enfrentar a realidade, alguém os usará como massa de manobra. E, no fim, a conta sempre chega — para a família, para a sociedade e para o país.
Pense nisso!























