Um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima que decisões tomadas pelo governo federal e pelo Congresso Nacional podem gerar quase R$ 1 trilhão em custos extras nas contas de luz dos brasileiros até 2050. O estudo calcula um impacto de R$ 985 bilhões nas tarifas de energia elétrica ao longo das próximas décadas.
O valor considera despesas adicionais já contratadas para o setor elétrico e não inclui reajustes anuais, inflação ou bandeiras tarifárias. Segundo o estudo, os custos surgem principalmente da ampliação de gastos ligados ao Tratado de Itaipu, da manutenção de incentivos para fontes renováveis e da contratação de usinas térmicas para garantir abastecimento nos horários de pico.
O tema ganhou força depois da divulgação de análises sobre o aumento estrutural das despesas do sistema elétrico brasileiro. O cálculo compara o impacto projetado a programas federais de grande porte. De acordo com os dados apresentados, o montante seria equivalente a seis vezes o orçamento anual do Bolsa Família.
Governo rebate metodologia
O Ministério de Minas e Energia contestou os números apresentados pela associação de consumidores. Em nota, a pasta afirmou que a metodologia utilizada no estudo seria “superficial” e argumentou que os cálculos não levam em consideração os benefícios sociais e econômicos das políticas públicas implementadas no setor elétrico.
Especialistas do mercado de energia avaliam que o debate expõe uma disputa sobre o modelo atual de financiamento da expansão elétrica no país. Parte dos custos da transição energética e da ampliação da segurança do sistema acaba sendo repassada diretamente ao consumidor.
Energia solar aumenta desafio do sistema
Outro ponto levantado pelo estudo envolve o crescimento acelerado da geração solar distribuída. Nos últimos anos, milhões de consumidores passaram a produzir energia por meio de placas instaladas em residências e empresas. Embora isso reduza parte do consumo da rede tradicional, o Operador Nacional do Sistema Elétrico enfrenta dificuldades para equilibrar a geração nos horários de maior demanda.
Durante o fim da tarde e início da noite, quando a produção solar cai rapidamente, o consumo doméstico aumenta em todo o país. Para evitar riscos de apagões, o sistema depende do acionamento de usinas térmicas, que possuem custo mais elevado.
“O setor elétrico vive um momento de forte pressão sobre os custos e exige revisão estrutural”, apontou a entidade responsável pelo levantamento.
Representantes do setor energético defendem uma reforma ampla no modelo tarifário brasileiro para reduzir subsídios, reorganizar encargos e ampliar previsibilidade para consumidores e investidores. O debate deve continuar nos próximos anos diante do avanço das energias renováveis e do aumento do consumo elétrico no país.























