Uma operação bilionária no setor mineral promete alterar a dinâmica global de fornecimento de terras raras. A companhia americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição integral da brasileira Serra Verde, em um negócio avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões.
O acordo prevê a compra de 100% das operações da empresa brasileira, incluindo a mina e a unidade de processamento Pela Ema, localizada em Goiás. O pagamento será dividido entre US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,8 milhões de novas ações da compradora. A conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de autorizações regulatórias e condições usuais de mercado.
A Serra Verde é controlada por fundos de investimento internacionais, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group. O principal ativo da companhia é considerado estratégico por analistas do setor: trata-se de uma das poucas operações fora da Ásia capaz de produzir, em escala comercial, elementos essenciais para a fabricação de ímãs de alto desempenho.
Entre esses minerais estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados em segmentos como mobilidade elétrica, geração de energia renovável, semicondutores e indústria de defesa. A expectativa da compradora é que a operação em Goiás responda por mais da metade da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027.
O movimento ocorre em meio a iniciativas dos Estados Unidos e de seus aliados para reduzir a dependência do mercado chinês, atualmente dominante nesse segmento. A USA Rare Earth afirma contar com apoio institucional de Washington e informou que o acordo inclui um contrato de 15 anos para comercialização da produção inicial, com preços mínimos estabelecidos — mecanismo que tende a reduzir a volatilidade e os riscos do negócio.
A estratégia da empresa americana é estruturar uma cadeia produtiva integrada fora da Ásia, abrangendo desde a extração mineral até a fabricação de ímãs permanentes. Projeções internas indicam que a operação combinada poderá gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, dependendo do desempenho do mercado e da execução dos projetos.
Em paralelo, a companhia já firmou, no início do ano, uma carta de intenções com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que prevê acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em financiamento. Desse total, uma parcela seria composta por recursos federais diretos, enquanto o restante poderia vir por meio de crédito garantido. O documento não implica liberação imediata, mas sinaliza o interesse do governo americano em fortalecer cadeias produtivas consideradas estratégicas.
No Brasil, o negócio reforça a importância das reservas minerais no cenário internacional. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a operação levanta debates sobre a agregação de valor dentro do país, já que etapas industriais mais avançadas tendem a ser realizadas no exterior.
A Serra Verde iniciou produção comercial em 2024, após receber mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é de que a capacidade plena seja atingida até 2027, com possibilidade de ampliação nos anos seguintes.























