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Fevereiro Roxo: doenças invisíveis que impactam a rotina de milhares de pessoas

Médico da Fundação São Francisco Xavier reforça a necessidade de olhar para essas doenças com empatia, compreensão e responsabilidade coletiva

Cid Miranda por Cid Miranda
9 de fevereiro de 2026
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 5 minutos de leitura
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Fevereiro Roxo: doenças invisíveis que impactam a rotina de milhares de pessoas

Wesley Moreira Vieira, médico neurologista da FSFX (Foto: Divulgação)

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Silenciosas, muitas vezes incompreendidas e cercadas por desafios no diagnóstico, doenças como lúpus, fibromialgia e Alzheimer fazem parte da realidade de milhares de famílias e ganham destaque no Fevereiro Roxo, campanha que busca ampliar a conscientização sobre essas condições crônicas e reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e do tratamento contínuo. Embora apresentem características distintas, elas têm algo em comum: o impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes e de todos que convivem com eles.

O reumatologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Guilherme Campos, explica que o lúpus e, principalmente, a fibromialgia são frequentemente chamadas de doenças invisíveis por não apresentarem sinais físicos tão evidentes em muitos casos, apesar do sofrimento intenso que provocam. Segundo ele, o lúpus é uma doença autoimune, caracterizada por um desarranjo no sistema imunológico, que passa a atacar células do próprio organismo, podendo atingir articulações, pele, rins e até o sistema nervoso. Já a fibromialgia está relacionada a uma alteração no sistema nervoso, que provoca uma hipersensibilidade à dor, conhecida como dor nociplástica. “São doenças que causam dor incapacitante. No caso da fibromialgia, muitas vezes não existe um exame específico que comprove a dor relatada pelo paciente, o que faz com que o sofrimento seja, muitas vezes, desacreditado, mesmo sendo real e extremamente limitante”, afirma.


Os sintomas das duas doenças podem se assemelhar em alguns aspectos, principalmente pela presença da dor crônica, mas possuem particularidades importantes. “O lúpus pode causar inflamações articulares, lesões de pele e comprometimento de órgãos vitais, exigindo tratamento com medicamentos imunossupressores. Já a fibromialgia costuma provocar dores musculares difusas, fadiga intensa, alterações no sono e, em alguns casos, associação com quadros de ansiedade e depressão. O paciente com fibromialgia, muitas vezes, já acorda cansado, com dores e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, o que compromete significativamente a rotina e o bem-estar”, ressalta o especialista.

O diagnóstico dessas condições ainda representa um grande desafio. De acordo com o Dr. Guilherme Campos, o lúpus é frequentemente subdiagnosticado, já que os pacientes podem passar anos enfrentando sintomas antes de chegar ao especialista. No caso da fibromialgia, o cuidado maior está em evitar diagnósticos equivocados, pois a doença é definida por exclusão, ou seja, é necessário investigar e descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes, como alterações hormonais e doenças metabólicas. “O reumatologista é fundamental para avaliar pacientes com dor persistente por mais de dois ou três meses, justamente para garantir uma investigação adequada e um tratamento correto”, explica.

Outro ponto fundamental é a continuidade do tratamento. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos e nutricionistas tem papel decisivo na evolução dos pacientes. “Hoje podemos afirmar que, quando o paciente adere ao tratamento e mantém acompanhamento regular, é possível alcançar uma melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida. Mesmo que não haja cura, é possível controlar a doença e devolver autonomia ao paciente”, destaca o médico.

O acolhimento também exerce papel essencial nesse processo. O especialista reforça que o apoio familiar e a escuta atenta por parte da equipe de saúde fazem a diferença na evolução clínica e emocional dos pacientes. “Quando o paciente se sente ouvido e compreendido, ele se torna mais confiante no tratamento. A participação da família é fundamental para entender as orientações médicas e oferecer suporte nos momentos mais difíceis”, pontua.

Outra condição abordada na campanha do Fevereiro Roxo é a Doença de Alzheimer, principal causa de demência no mundo. O neurologista da FSFX, Wesley Vieira, explica que a doença é caracterizada pela degeneração progressiva das células cerebrais, especialmente nas áreas responsáveis pela memória, linguagem e demais funções cognitivas. “Ela ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, que levam à perda progressiva das células cerebrais, sendo essa perda a responsável pelo comprometimento da comunicação entre os neurônios”, esclarece.

Nos estágios iniciais, o sintoma mais comum é a dificuldade para memorizar informações recentes, como compromissos e conversas, enquanto lembranças antigas permanecem preservadas. Mudanças de comportamento, como irritabilidade, apatia e perda de iniciativa, também podem surgir e, muitas vezes, são confundidas com sinais naturais do envelhecimento. “No envelhecimento normal, a pessoa pode esquecer algo ocasionalmente e lembrar depois. No Alzheimer, o esquecimento é progressivo e passa a comprometer a autonomia do paciente”, explica o neurologista.

O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no enfrentamento da doença. “Embora ainda não exista cura, intervenções médicas e terapêuticas podem retardar a progressão dos sintomas e preservar a independência do paciente por mais tempo. Além disso, o diagnóstico antecipado permite que a família se organize emocional e estruturalmente para lidar com a doença. Pois, quando identificamos precocemente, conseguimos iniciar o tratamento no momento certo e planejar o cuidado de forma mais humanizada, reduzindo impactos futuros”, destaca o especialista.

O Alzheimer também provoca repercussões que ultrapassam o paciente, afetando diretamente toda a família. Com a evolução da doença, familiares passam a assumir responsabilidades relacionadas à rotina, à administração de medicamentos e às decisões do dia a dia, o que pode gerar sobrecarga física e emocional. “É comum que o cuidador principal enfrente cansaço, ansiedade e até um sentimento de luto antecipado. Por isso, o cuidado precisa incluir toda a família”, ressalta o neurologista.

Assim como nas demais doenças abordadas pelo Fevereiro Roxo, o acompanhamento contínuo e multidisciplinar é essencial para o controle do Alzheimer. A atuação integrada de profissionais como psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais contribui para preservar funções cognitivas, estimular a autonomia e oferecer suporte emocional aos familiares.

Para o especialista, a informação e o acolhimento são ferramentas fundamentais no enfrentamento da doença. Ele orienta que familiares busquem compreender o Alzheimer como uma condição médica e não como uma escolha do paciente. “Manter uma rotina estruturada, comunicação simples e ambiente seguro ajuda muito no dia a dia. E é importante lembrar que o cuidador também precisa de apoio, dividir responsabilidades e buscar ajuda profissional faz parte do tratamento”, orienta.

O neurologista deixa ainda uma mensagem de reflexão sobre o cuidado com esses pacientes. “Mesmo quando a memória falha, as emoções permanecem. O paciente pode esquecer fatos e palavras, mas guarda sentimentos sobre como foi tratado. O carinho, o respeito e a empatia fazem diferença todos os dias e são formas importantes de cuidado e tratamento”, pontua.

Mais do que promover informação, o Fevereiro Roxo reforça a necessidade de olhar para essas doenças com empatia, compreensão e responsabilidade coletiva. Para pacientes e familiares, o diagnóstico pode representar o início de uma jornada desafiadora, mas o acompanhamento adequado, o suporte emocional e o acesso ao tratamento podem transformar essa trajetória, proporcionando mais qualidade de vida e esperança.

FUNDAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER

A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica que atua desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares, sendo o Hospital Márcio Cunha com cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, em Ipatinga, e o Hospital Municipal Carlos Chagas com 100% dos atendimentos pelo SUS, em Itabira (MG).

As unidades hospitalares têm uma gestão marcada pela responsabilidade, pela oferta de atendimentos de excelência e pelas melhores práticas de segurança. Além das unidades hospitalares, a Fundação é responsável por administrar a operadora de Planos de Saúde Usisaúde, que possui mais de 200 mil vidas, o Centro de Odontologia Integrada, que mantém os melhores indicadores de saúde bucal já divulgados no Brasil, e o Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que soma mais de 160 mil vidas sob sua gestão.

Na área educacional, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência em Educação na região, com cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.

Tag: AlzheimerFevereiro RoxofibromialgiaFundação São Francisco Xavierlúpus
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