O banco UBS BB elevou a recomendação das ações da Usiminas (USIM5) de neutra para compra e revisou o preço-alvo dos papéis para R$ 9,00, indicando potencial de valorização de 38,7% nos próximos meses. A estimativa considera o desempenho até dezembro, tomando como base o fechamento anterior, de R$ 6,49.
A mudança de perspectiva foi anunciada nessa terça-feira (17) e repercutiu no mercado. As ações da companhia passaram a figurar entre as maiores altas do Ibovespa ao longo do pregão. Por volta do meio-dia, os papéis avançavam 4,78%, cotados a R$ 6,80, após chegarem a subir quase 7% nas primeiras horas de negociação.
De acordo com os analistas Caio Greiner, Arthur Biscuola e Andrew Jones, o ambiente para o setor siderúrgico brasileiro se tornou mais favorável após o endurecimento das políticas comerciais no país. Em fevereiro, o governo federal ampliou restrições à importação de aço e adotou medidas antidumping com validade de até cinco anos para produtos oriundos da China e da Índia.
Na avaliação do banco, iniciativas desse tipo tendem a reforçar o interesse dos investidores pelo setor, seguindo movimento já observado em mercados como Estados Unidos, União Europeia e México, onde políticas protecionistas estimularam a indústria local.
GANHO DE MERCADO E PREÇOS
O relatório destaca que a Usiminas aparece como uma das principais beneficiadas pelo novo cenário. A expectativa é de redução relevante das importações de aço plano, especialmente da China, abrindo espaço para o aumento da participação de produtores nacionais.
Segundo os analistas, a companhia deve aproveitar tanto o avanço dos preços no mercado doméstico quanto o crescimento da demanda. A projeção é de alta de cerca de 10% nos embarques e aumento médio de 6% nos preços ao longo dos próximos trimestres.
EXPANSÃO DE MARGENS
Com esse cenário, a divisão de aço da empresa pode registrar melhora significativa na rentabilidade. A estimativa do banco é que a margem Ebitda fique entre 13% e 15%, patamar superior aos cerca de 6% observados em 2025.
O relatório também aponta que o mercado ainda não precificou integralmente esse potencial de recuperação operacional. Apesar da valorização recente — com alta acumulada de 14,3% em 2026, acima dos 12,9% do Ibovespa —, os analistas avaliam que apenas parte do ganho esperado já está refletida no preço das ações.
Diante desse conjunto de fatores, o banco vê espaço adicional para valorização dos papéis ao longo dos próximos meses, sustentado por um ambiente mais favorável à indústria siderúrgica nacional.























