Por Mário Plaka (*)
Diga-me com quem tu andas, e eu te mostro exatamente a tua direção. A natureza humana se revela pelos vínculos que escolhe. Coloque dez mil pessoas desconhecidas em um estádio de futebol; em poucas horas, os grupos estarão formados. Os semelhantes se reconhecem, os iguais se conectam. E isso vale para todos os âmbitos da vida — inclusive para o crime, para a política, para o poder.
Porque uma coisa é certa: quem nunca recebeu a pena devida continua acreditando que está acima da lei. E quem compartilha da mesma índole se aproxima, se protege, se une. Basta observar a base de cada partido político, de cada segmento religioso, de cada estrutura estatal. Ali estão os iguais, aqueles que vivem na linha tênue — ou muitas vezes escancarada — entre a imoralidade e a ilegalidade.
A política brasileira, hoje, é um reduto de velhacos. Gente que posa de empresário, mas se sustenta em sonegação, exploração, tráfico de influência, fraude tributária e desvio de verbas públicas. A exploração do trabalhador brasileiro é uma das maiores vergonhas deste país — e a sonegação é crime contra a nação. Quando alguém burla o Estado, não rouba apenas imposto: rouba comida do prato do povo, rouba saúde, rouba educação, rouba o mínimo de dignidade.
Mas há algo ainda mais grave: o Estado brasileiro se tornou um sistema de autoproteção dos poderosos. É um consórcio de interesses onde deputados, senadores, ministros, governadores e oligarquias inteiras trabalham para blindar uns aos outros. A Constituição virou peça decorativa quando confronta os interesses da cúpula que deveria defendê-la.
E isso ficou evidente com a revelação feita por uma ex-desembargadora, que afirmou claramente que montaram um esquema para tirar Jair Bolsonaro do jogo político por medo. Medo de perder privilégios. Medo de perder controle. Medo de que a verdade, dita em voz alta, despertasse um país inteiro. Essa confissão escancara algo que muitos fingem não ver: o sistema não persegue apenas um homem — ele persegue qualquer cidadão que ameaça a engrenagem que sustenta os poderosos.
A perseguição ao povo brasileiro é latente, dolorosa, diária. Enquanto isso, criminosos perigosos — de colarinho branco, de gabinete climatizado — recebem habeas corpus como quem recebe um kit vale-refeição. Habeas corpus preventivo para não depor. Habeas corpus para não responder perguntas. Habeas corpus para desafiar CPIs e CPMIs como se o Congresso fosse um teatro de marionetes. O cidadão comum não tem esse privilégio. O cidadão comum tem medo — medo real, medo legítimo. Porque sabe que, no Brasil, justiça tem CNPJ.
Enquanto a população luta para sobreviver, a elite política viaja em jatinhos, helicópteros, mordomias e comitivas de luxo pagas pelo suor de quem ganha pouco — e ainda assim é triturado pela Receita Federal por alguns centavos acima da faixa. O salário mínimo de hoje não sustenta nem metade do que sustentava há décadas. E a culpa não é do povo: é do sistema parasitário que se alimenta de quem produz e protege quem saqueia.
E agora surge novamente o nome de Marcos Valério, condenado no mensalão, investigado outra vez por chefiar um esquema de sonegação de ICMS que desviou mais de duzentos milhões de reais. Segundo a CNN, foram empresas de fachada, notas frias, operações simuladas e uma rede inteira montada para fraudar o Estado. A pergunta é: por que os mesmos nomes, as mesmas alianças e os mesmos grupos sempre reaparecem? Porque os iguais andam juntos. Sempre.
Essa é a verdade que eles tentam esconder — mas não conseguem:
– os grupos revelam seus membros. As alianças revelam seus interesses. E o povo já sabe quem anda com quem.
O que falta ao Brasil não é evidência.
É coragem.
E essa coragem só nasce quando o povo desperta.
UMA VERDADE QUE O BRASIL PRECISA ENCARAR
A pior coisa que pode acontecer com um ser humano é ele errar e não ser punido pelo seu erro.
Porque quem não recebe punição acredita que está certo.
E quem acredita que está certo na prática do erro passa a viver como se a ilicitude fosse virtude, como se o crime fosse estilo de vida.
No Brasil, isso virou regra entre setores da elite:
– eles confundem poder com imunidade, dinheiro com absolvição, influência com inocência.
E fazem isso porque sabem que, aqui, quem tem recursos contrata bons advogados, compra proteção política e circula com naturalidade entre os mesmos que deveriam garantir a justiça — mas preferem garantir a si mesmos.
Esse é o verdadeiro abismo moral do país.























