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Entre o céu e inferno

Redação por Redação
4 de agosto de 2025
em Neimar Fernandes
Tempo de Leitura: 4 minutos de leitura
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Entre o céu e inferno

Arrecadação de primeiro mundo com serviços de terceiro (Imagem: Gerada por IA)

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Por Neimar Fernandes (*)

​Desde as viagens de Marco Polo, sabemos que só se diminui a pobreza com liberdade do mercado. Vender, barganhar, permutar sem interferências ou regras impostas por terceiros. Impossível dividir pobreza em qualquer proporção, já a riqueza permite divisões equilibradas ou perversas, mas é a única forma de crescimento.


​Veja dois exemplos gritantes, capazes de comprovar esta lição: Hong Kong uma ilha sem água potável e constituída sobre maciço rochoso, através do livre comércio, saiu da pobreza extrema para uma renda per capta maior que a do reino unido, do qual era colônia, em apenas 40 anos. Singapura outra ex-colônia, paupérrima e dominada pela criminalidade, conseguiu o mesmo em 30 anos.

​No Brasil, neste mesmo período, convivemos com governos equivocados, políticos mal intencionados, magistrados que mudam o discurso de acordo com os próprios interesses.

​Hoje, com 2 anos e 7 meses de governo Lula, vale conferir algumas realizações:

– ​Dobrou o número de ministérios e órgãos federais com gastos de mais de 5 bilhões de reais por ano;

– ​Demissão de milhares de comissionados, técnicos e competentes, para acomodar militantes, inchando a máquina pública;

– ​Quebra do isolamento de líderes de facções criminosas em presídios federais;

– Controle absoluto, sufocando o desempenho de órgãos que vinham apresentando desempenho muito acima dos padrões de governos anteriores do próprio PT;

– ​“Médicos” cubanos recontratados e extermínio do programa Mais Médicos com médicos brasileiros;

– Reformas, trabalhista e jurídica visando retornar o assalto ao tesouro;

– Paralisação das concessões de três malhas ferroviárias e expansão do setor;

– Novos critérios para a volta da farra de recursos da Lei Rouanet;

– ​Retorno de 10 bilhões em verbas publicitárias federais, acabando com economia de mais de cinco bilhões de reais por ano;

– Cancelamento e extermínio da lava jato e do plano efetivo de combate à corrupção E tráfico de drogas, com proibição das ações da PRF;

– Falta de confiança e humilhação das Forças Armadas;

​- ​Jornalistas assustados diante do despreparo de ministros e autoridades do primeiro escalão;

– ​Ações diplomáticas para reaproximar o Brasil das grandes ditaduras e fracassos econômicos mundiais.

​Quais desses assuntos foram destaques na imprensa?

​Toda a mídia buscando a governabilidade da atual administração, mesmo que custe a credibilidade da maioria dos veículos.

​Vale aqui relembrar o poeta e diplomata Vinícius de Morais:

“Vai, meu coração, ouve a razão

Usa só sinceridade

Quem semeia vento, diz a razão

Colhe sempre tempestade”.

Pior que a insegurança que assola o país e uma mídia fustigando Bolsonaro, torna-se lamentável que diante de rara oportunidade para passar a limpo essa parafernália em que se transformaram nossas instituições, alguns dos principais protagonistas ajam como verdadeiros canastrões, incapazes sequer de disfarçarem esta encenação de cartas marcadas.

Corrupção endêmica, inapetência generalizada e organização à beira do caos, continuam a nos assustar.

​Quem sabe seja este o momento ideal para um pouco mais de tolerância e bom senso.

Imagine viver em um país que deve arrecadar este ano mais de 3 trilhões de reais em impostos, quantia que o coloca entre as trinta maiores arrecadações do mundo em proporção ao número de contribuintes.

Apesar dessa montanha de dinheiro, faltam serviços de qualidade e alguns nem existem. Transporte precário, saúde de dar dó, ensino uma vergonha e a segurança dá medo.

Arrecadação de primeiro mundo com serviços de terceiro.

Ainda convivemos com aumento de combustível, tarifas de serviços, alíquotas de impostos, e tome sufoco da população.

Modelo econômico, que o governo anterior combateu e obteve grandes vitórias, apesar da pandemia e de uma recessão mundiais.

A chance para mudar tudo isto esteve em nossas mãos, agora, parece que não é mais prioridade do novo governo. Vamos aguardar, dar tempo ao tempo, basta de ódio, discursos e ideologias. O nós contra eles, nunca funcionou e sempre acabou em tragédias, vejam impérios romano, otomano, nazismo, fascismo, franquismo e comunismo.

Diante de tanta lambança, prefiro trocar o circo do planalto pela perseverança que conduziu Dom Alonso, seu decrépito pangaré, a desajeitada camponesa Aldonça e o ingênuo e materialista lavrador Sancho, que travestidos de Dom Quixote, Rocinante, Dulcinéia e Sancho Pança, sonham, têm esperanças e fracassam. Heróis, que na sua loucura coletiva, foram tão corajosos quanto os verdadeiros heróis.

Melhor sonhar com Miguel de Cervantes, que ir ao inferno com Dante Alighieri.

(*) Neimar Fernandes é engenheiro, jornalista e publicitário; pós-graduado em Marketing pela Universidade do Estado de Nova Iorque (State University of New York System) com 40 anos de experiência em serviços prestados no Brasil e no exterior. Âncora, editor e produtor, passando pelas emissoras, TV Globo, Manchete, Record, Bandeirantes, Rede TV, SSV (Itália), SIC (Portugal); é colunista de diversos jornais no país, entre eles, Jornal do Brasil e O Globo; e atuou como correspondente internacional em Portugal, Itália, Inglaterra e Espanha
Tag: governos equivocadosliberdade do mercadopobrezapolíticos mal intencionados
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