Por Neimar Fernandes (*)
O Brasil assistiu, mais uma vez, a decisões que aprofundam o abismo entre instituições e sociedade. Em um mesmo movimento, o Supremo Tribunal Federal (STF), encerra uma comissão que avançava sobre temas sensíveis e suaviza, na prática, o enfrentamento aos chamados “penduricalhos” que sustentam salários muito acima do teto constitucional no Judiciário.
O recado é claro e preocupante.
Não se trata apenas de um embate jurídico. Trata-se da percepção crescente de que há um sistema que se protege, que se fecha em si mesmo e que responde cada vez menos ao princípio básico da República: o de que todo poder emana do povo e deve a ele satisfação.
O fim de uma investigação que se aproximava de zonas de desconforto institucional levanta dúvidas inevitáveis. Já a manutenção, ainda que indireta, de mecanismos que ampliam remunerações acima do teto reforça a sensação de privilégio em um país onde a maioria luta para fechar as contas no fim do mês.
É nesse contraste que nasce o desgaste.
A confiança pública não se rompe de uma vez ela se esvai aos poucos, decisão após decisão, sinal após sinal. E quando a população passa a enxergar distância, blindagem e ausência de consequência, o dano não é apenas político. É estrutural.
A pergunta que ecoa nas ruas, nas redes e nos bastidores é simples, mas poderosa: até onde vai a tolerância do brasileiro?
Democracias não se sustentam apenas em normas, dependem de legitimidade. E legitimidade exige transparência, coerência e senso de justiça.
Ignorar isso é apostar em um silêncio que, cedo ou tarde, se transforma em reação.























