Por Neimar Fernandes (*)
Tem coisa que sinceramente desanima. Às vezes parece que o maior prazer de parte da direita é procurar motivo para brigar entre si. Sai um vídeo picado, aparece um print de procedência duvidosa, alguém fala uma frase mal colocada e pronto. A confusão começa.
Nem esperam para entender direito o que aconteceu.
Já aparecem os especialistas de internet decretando quem virou traidor, vendido, infiltrado e por aí vai. O sujeito passa anos defendendo certas bandeiras, mas bastam algumas horas de rede social pegando fogo para jogarem tudo no lixo.
Isso virou rotina.
E o pior é que muita gente não percebe quando está sendo usada. Tem provocação feita exatamente para criar divisão, desconfiança e desgaste dentro da própria direita. E funciona.
Enquanto um lado perde tempo se engalfinhando, o outro vai avançando quieto.
Claro que a esquerda também tem suas brigas internas. Sempre teve. Política nunca foi convento. Mas eles costumam entender uma coisa básica: exposição pública demais enfraquece o grupo.
Aqui parece o contrário. Tem gente que acorda procurando alguém do mesmo campo para atacar.
A internet ajudou a transformar tudo em reação imediata. Ninguém quer esperar, investigar ou ouvir os dois lados. O importante virou lacrar rápido e ganhar aplauso de quem pensa igual.
Só que política não é torcida organizada.
Quem vive no impulso acaba caindo em armadilha infantil.
Aprendi isso faz tempo acompanhando campanhas, bastidores e disputas de poder. Em política, muitas vezes o sujeito cai porque fizeram ele perder a calma. É exatamente aí que o erro acontece.
No xadrez existe muito disso. O jogador vê uma oportunidade bonita demais, vai seco na jogada e só depois percebe que entrou na armadilha que o outro preparou vários movimentos antes.
Na política acontece igualzinho.
Tem muita gente boa sendo fritada pela própria turma sem necessidade nenhuma. E depois que o estrago está feito não adianta reclamar da força do adversário.























