A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) defende a necessidade de uma discussão mais extensa no Senado Federal sobre a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A entidade argumenta que a população precisa compreender com clareza os impactos econômicos e sociais da medida antes de qualquer aprovação, evitando que interesses políticos ou eleitorais de curto prazo acelerem a tramitação do projeto.
Para a associação, propostas capazes de afetar milhões de empregos e a operação de atividades essenciais exigem responsabilidade. Nesse sentido, a Abrasel elogiou a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por reforçar a importância de seguir os trâmites legislativos tradicionais para garantir uma avaliação qualificada no Parlamento.
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, destacou que a sociedade tem o direito de conhecer não apenas os benefícios da alteração, mas também os custos associados a ela. O executivo defendeu que o Congresso atue com transparência e visão de longo prazo, questionando o fato de que nenhum outro país tenha proibido esse modelo de jornada por meio de legislação.
“A sociedade tem o direito de conhecer não apenas os benefícios apontados pelos defensores da proposta, mas também os custos que ela pode gerar. Seria inaceitável que interesses eleitorais ou pessoais se sobrepusessem aos interesses do país. O Congresso tem a responsabilidade de conduzir esse debate com profundidade, transparência e visão de longo prazo. Devemos investigar, por exemplo, por que nenhum outro país do mundo proibiu a escala 6×1 por lei”, argumenta Solmucci,
A entidade alerta que segmentos de funcionamento contínuo — como comércio, alimentação, saúde, transporte e turismo — enfrentarão desafios severos se a mudança ocorrer sem planejamento. Estudos do setor indicam que a nova regra trabalhista elevaria os custos operacionais e exigiria contratações adicionais em um momento já marcado pela dificuldade em encontrar mão de obra qualificada.
Embora declare apoio a iniciativas que melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores, a associação argumenta que a transição deve ser gradual, fundamentada em dados e atrelada à produtividade. A Abrasel adverte ainda que uma mudança drástica implementada em um prazo curto, como 60 dias, poderia gerar um repasse imediato de custos aos serviços. Esse cenário, segundo a entidade, pressionaria a inflação, forçaria o aumento da taxa de juros e poderia provocar uma desaceleração econômica no país.























