O mercado de trabalho brasileiro encerrou os seis primeiros meses de 2026 com o menor volume de contratações formais para um primeiro semestre desde o início da pandemia de covid-19. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam a criação de 921,6 mil vagas com carteira assinada no período, valor 25% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
A retração na abertura de postos formais ficou evidente na comparação com o primeiro semestre de 2025, período no qual o saldo positivo havia alcançado 1,23 milhão de contratações. O desempenho atual representa a marca mais baixa da série histórica recente para os primeiros seis meses do ano desde 2020, ocasião em que a crise sanitária global provocou o fechamento de mais de 1 milhão de postos.
O mês de junho seguiu a tendência de desaceleração e registrou o menor resultado para o período nos últimos seis anos. No mês, foram efetuadas 2,22 milhões de admissões frente a 2,07 milhões de desligamentos, gerando um saldo positivo de 145,1 mil vagas. O montante ficou 10,4% abaixo das 162 mil vagas apuradas em junho de 2025.
Apesar da perda de ritmo na criação de novos postos, o volume total de trabalhadores contratados sob o regime da CLT permaneceu em expansão. O estoque formal no país atingiu 48,03 milhões de postos ocupados ao final de junho, superando os 47,88 milhões observados em maio e os 47,07 milhões computados no mesmo mês do ano anterior.
A avaliação do Ministério do Trabalho e Emprego atribui o desaquecimento às pressões da política monetária e ao ambiente internacional desfavorável. Segundo o governo, a manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano — mesmo após cortes recentes executados pelo Banco Central — eleva o custo do crédito e restringe investimentos produtivos das empresas. As incertezas no comércio externo também foram citadas como entrave às contratações.
A pasta ressalta ainda que as comparações entre diferentes séries históricas exigem cautela devido a ajustes metodológicos implementados na apuração do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).























