O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, em resposta a comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Além do envio de uma nota oficial de esclarecimento, o episódio motivou contatos diretos entre os Executivos dos dois países e manifestações formais no meio parlamentar.
O desentendimento diplomático teve origem em um discurso proferido em Jacareí, no interior de São Paulo. Durante o evento, o presidente brasileiro fez referência ao conflito do século XIX, afirmando que o Paraguai havia iniciado os confrontos ao invadir áreas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, sustentando que o episódio deu início a um período de combates com duração de cinco anos.
A fala provocou pronta reação do governo sediado em Assunção. A chancelaria paraguaia formalizou o pedido de explicações junto à representação brasileira, enquanto os presidentes Lula e Santiago Peña mantiveram diálogo telefônico para tratar do impacto das declarações na relação entre as duas nações.
O descontentamento também se estendeu ao Poder Legislativo do país vizinho. O Congresso do Paraguai aprovou, de forma unânime, uma moção de repúdio às posições manifestadas pelo chefe de Estado brasileiro. No documento aprovado, os parlamentares alegaram que as declarações alteraram os fatos históricos da guerra ao desconsiderar os antecedentes do conflito, os impactos humanos enfrentados pela população local e as consequências territoriais e econômicas decorrentes da disputa.























