O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou um crescimento expressivo nas recentes pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial. Os números do levantamento da Quaest, divulgados na terça-feira 8, revelam que o parlamentar igualou as marcas alcançadas por seu pai, Jair Bolsonaro, nos três maiores colégios eleitorais do país durante o segundo turno das eleições de 2022. Em apenas um mês, o oposicionista conquistou cerca de 2 milhões de votos adicionais nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, alterando o panorama da disputa política nacional.
O cenário mais emblemático e que chama a atenção dos analistas políticos ocorre em Minas Gerais. O estado, historicamente considerado estratégico e decisivo na corrida pelo Palácio do Planalto, apresentou uma virada significativa. Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro saltou de 35% para 40% das intenções de voto. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou de 38% para 37%. Essa movimentação resultou em uma inversão de posições, colocando o senador numericamente à frente do atual presidente no estado mineiro.
O crescimento do candidato do Partido Liberal (PL) também se consolidou de maneira robusta em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil. Na mesma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro atingiu a marca de 41% das intenções de voto, contra 33% do presidente Lula. Anteriormente, a distância que separava os dois políticos era de apenas cinco pontos percentuais. Essa ampliação da vantagem evidencia um avanço consistente e contínuo do senador no território paulista nas últimas semanas.
A projeção de vantagem e o impacto regional
A atual projeção de votos aponta para uma vantagem ainda mais expressiva quando comparada ao desempenho do ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição presidencial passada. Em 2022, o então presidente conseguiu abrir uma margem de 3,8 milhões de votos sobre Lula nos três maiores colégios eleitorais do Brasil. No final de julho deste ano, os dados apurados pela própria Quaest demonstravam que Flávio Bolsonaro estava aquém desse patamar histórico, apresentando uma diferença de apenas 1,6 milhão de votos em relação ao candidato petista.
No entanto, o novo levantamento aponta que a projeção atual indica uma vantagem de impressionantes 4 milhões de votos para o senador fluminense nesses mesmos estados. Essa margem atual supera, portanto, o desempenho do próprio pai no auge da disputa de 2022. Essa arrancada, que representa a conquista de cerca de 2 milhões de votos em um intervalo de apenas trinta dias, configura um dos movimentos mais significativos registrados nas pesquisas recentes sobre a corrida eleitoral para a presidência da República.
O peso do Nordeste na balança eleitoral
Apesar do notável avanço de Flávio Bolsonaro nos maiores colégios eleitorais da região Sudeste, a história política recente serve como um alerta importante para a campanha da oposição. O cenário desenhado atualmente guarda fortes semelhanças com o que ocorreu nas eleições de 2022. Naquela ocasião, a vantagem obtida por Jair Bolsonaro no Sudeste — em patamares muito parecidos com os que o senador exibe agora — não foi suficiente para assegurar a vitória nas urnas.
O retrato que emerge das pesquisas é claro: a eleição de 2026 caminha para ser tão acirrada e equilibrada quanto foi a de 2022.
Na disputa anterior, o presidente Lula conseguiu compensar o revés sofrido no Sudeste com uma votação massiva e extremamente expressiva na região Nordeste, o que acabou garantindo o seu retorno à presidência. A tendência para as eleições de 2026 é que o saldo eleitoral final entre as regiões Sudeste e Nordeste volte a atuar como o fator determinante para o resultado do pleito. A divisão geográfica dos votos continua sendo um elemento central da política nacional.
Reforçando essa perspectiva regional, o instituto Quaest também divulgou dados recentes relativos ao estado de Pernambuco. Nesse território estratégico, em um eventual cenário de segundo turno, Lula superaria Flávio Bolsonaro por uma larga margem de 2,1 milhões de votos. Para fins de comparação histórica, em 2022, o candidato do Partido dos Trabalhadores venceu Jair Bolsonaro no estado pernambucano por uma diferença de 1,9 milhão de votos.
Os números gerais e os recortes regionais evidenciam que as duas maiores forças políticas do país continuam disputando o eleitorado voto a voto. O atual panorama demonstra que o acirramento político e a polarização se mantêm intensos, projetando uma corrida eleitoral extremamente disputada e definida nos detalhes demográficos, regionais e econômicos de cada unidade da federação brasileira.























