O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornou públicos documentos que detalham os esforços da Polícia Federal (PF) para acessar dados bloqueados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A ocultação do material ocorreu porque as informações mencionavam pessoas com foro privilegiado. A investida policial integra a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suposta gestão fraudulenta no Banco Master.
O impasse começou em março deste ano, quando a corporação formalizou um pedido no STF para obter a íntegra dos dados. O Coaf havia repassado aos agentes o Relatório de Inteligência Financeira (RIF), mas excluiu intencionalmente trechos que citavam indivíduos protegidos por prerrogativa de foro no próprio Supremo e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para a equipe de investigação, o bloqueio parcial quebrou a cadeia de rastreamento financeiro. A limitação dificultou o mapeamento dos repasses e a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos suspeitos. Diante da restrição, a PF solicitou ao ministro o envio completo do relatório original e de todo o histórico de transações financeiras dos investigados desde 2020.
O levantamento do conselho abrange 13 páginas e lista 823 pessoas físicas e jurídicas associadas a movimentações atípicas. O órgão de controle adverte, no entanto, que a simples menção no relatório não comprova o cometimento de crimes. Um dos destaques da análise é a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, que movimentou dezenas de milhões em um ano. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a entidade religiosa registrou R$ 28,5 milhões em recebimentos e R$ 28,6 milhões em saídas. O documento aponta Fabiano Campos Zette como um dos maiores remetentes de valores para a conta da instituição.
A remoção do sigilo promovida por Mendonça expõe os bastidores da apuração sobre o Banco Master e altera a dinâmica do caso. Com os autos agora disponíveis, o processo revela detalhes sensíveis sobre o fluxo de capitais, incluindo negócios imobiliários e aquisições de veículos de alto padrão, o que abre caminho para novos desdobramentos judiciais.























