A Justiça Eleitoral do Ceará determinou que lideranças políticas do estado esclareçam os métodos de edição usados em um vídeo institucional divulgado nas redes sociais. A peça publicitária, gravada em apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas, gerou controvérsia ao exibir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparentemente com dez dedos nas mãos, levantando suspeitas sobre o uso de manipulação por inteligência artificial.
A notificação judicial atinge o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, o senador Camilo Santana e o ex-secretário da Casa Civil Chagas Vieira, que compartilhou o conteúdo em suas plataformas digitais. Os políticos intimados devem informar formalmente se recorreram a ferramentas de inteligência artificial durante o processo de concepção ou edição da peça. Na hipótese de negativa, terão de detalhar quais procedimentos técnicos foram adotados na montagem do material.
A controvérsia gira em torno de uma transição visual na qual a figura de Elmano de Freitas se transforma na imagem de Lula. Durante a sequência, o presidente aparece com as mãos completas, detalhe divergente da realidade biográfica do mandatário, que perdeu parte do dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho nos anos 1960.
O procedimento decorre de uma ação movida pelo Partido Liberal (PL), que requereu a remoção imediata da postagem. Em análise preliminar, o desembargador Francisco Luís Rios Alves rejeitou o pedido inicial ao avaliar que a gravação continha apenas recursos convencionais de edição e que a acusação não havia apresentado laudo técnico de adulteração sintética.
Após a negativa inicial, o PL ingressou com recurso e destacou especificamente a representação das mãos do presidente e a duplicação momentânea da imagem do governador. Com esses novos apontamentos apresentados pelo partido, o magistrado optou por solicitar manifestação prévia dos envolvidos antes de emitir um novo parecer sobre o caso.























