A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quarta-feira (15), a “Operação Hawala” para desarticular uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões de facções criminosas entre 2021 e 2024. A estrutura, originada no tráfico de drogas de comunidades fluminenses, atendia ao Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as investigações, as autoridades também identificaram indícios de conexões financeiras do grupo com uma rede de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.
Ao todo, a Justiça expediu dez mandados de prisão e diversas ordens de busca e apreensão, além do bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens dos envolvidos. As ações foram realizadas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu, no Paraná. Entre os detidos na operação estão uma mulher apontada como operadora financeira do grupo e três irmãos de origem libanesa.
A investigação teve início a partir da identificação de um esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo TCP no Complexo de São Carlos, região central do Rio de Janeiro. Com o avanço das apurações, os agentes constataram que a engrenagem funcionava como uma prestadora de serviços financeiros que também beneficiava as facções rivais CV e PCC.
O grupo operava por meio de dezenas de empresas de fachada situadas em diferentes estados para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com o tráfico de entorpecentes, receptação qualificada e comercialização de mercadorias falsificadas. Para inserir o capital ilícito no mercado formal, a organização utilizava métodos como depósitos bancários fracionados, transferência sucessiva entre pessoas jurídicas e a cooptação de contadores para fraudar a escrituração fiscal e omitir transações suspeitas das autoridades de controle.
O elo com o terrorismo internacional passou a ser investigado após a polícia rastrear transações financeiras para um indivíduo sancionado pelo governo dos Estados Unidos por envolvimento na estrutura de captação de recursos da Al-Qaeda. Menções ao grupo libanês Hezbollah também foram localizadas. Segundo a polícia, as apurações sobre a ligação com o extremismo internacional estão em fase inicial e os materiais apreendidos na operação de hoje devem ajudar a detalhar o alcance internacional das movimentações na região da Tríplice Fronteira.























