Um laudo pericial anexado ao inquérito criminal que investiga o filme Dark Horse, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, concluiu que a produção foi financiada exclusivamente com recursos privados. Concluída em junho pelo especialista Anísio Costa Castelo, a pedido da produtora GoUp, a análise das notas fiscais descartou o uso de verbas da Lei Rouanet ou repasses indiretos da prefeitura de São Paulo.
O documento estimou o custo total da obra em 13,3 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 75 milhões de reais. A maior parte das despesas de produção, correspondente a 9,6 milhões de dólares, foi executada nos Estados Unidos, enquanto as operações em território brasileiro consumiram aproximadamente 4 milhões de dólares.
De acordo com o levantamento, o fundo texano Havengate foi o responsável por cobrir integralmente o custo do longa-metragem. Foi por meio dessa estrutura que o empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro canalizou cerca de 61 milhões de reais para viabilizar o projeto. O fundo tem entre seus quadros Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro.
As investigações sobre o financiamento ganharam repercussão após o vazamento de conversas em que o senador Flávio Bolsonaro solicitava apoio financeiro a Vorcaro. As suspeitas motivaram a abertura de uma apuração pela Polícia Civil de São Paulo.
Nesta semana, o caso teve novos desdobramentos na esfera judicial. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal tenha acesso integral aos autos conduzidos em São Paulo para verificar se houve eventuais irregularidades na captação dos recursos. A defesa dos envolvidos utiliza a perícia contábil recém-anexada ao processo para sustentar a legalidade de toda a operação financeira.























