O orçamento dos brasileiros enfrenta forte compressão provocada pela combinação de inflação persistente e altas taxas de juros. Levantamento da consultoria Tendências aponta que, no mês de maio, apenas 21,7% da renda disponível das famílias permaneceu livre após a quitação de despesas essenciais e do serviço de dívidas, como empréstimos e financiamentos.
O resultado registrado em maio aproxima-se do patamar mais baixo da série histórica iniciada em 2011. O recorde mínimo ocorreu nos dois primeiros meses deste ano, quando o índice atingiu 21%. Ao desconsiderar os compromissos financeiros com dívidas, o percentual restante da renda sobe para 41,64%, valor calculado após o pagamento de itens básicos como habitação, alimentação, transporte e remédios.
A elevação dos preços acima das projeções iniciais tem impactado diretamente o poder de compra da população. Analistas da consultoria apontam que mesmo variações decimais na renda disponível geram reflexos significativos no planejamento financeiro das famílias. As estimativas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgadas pelo Boletim Focus, subiram de 4,31% em janeiro para 5,03% nas medições mais recentes.
A pressão inflacionária é intensificada por fatores externos e climáticos, incluindo variações no preço do petróleo — com impacto direto sobre combustíveis e fretes — e perspectivas do fenômeno El Niño, que afeta a produção agrícola e encarece os alimentos. Esse conjunto de variáveis reduz a margem financeira das famílias e limita a capacidade de consumo no país.























