O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli declarou que sua presença em um evento financiado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ocorreu a convite do também ministro Alexandre de Moraes. A declaração, enviada à revista piauí por meio de sua assessoria de imprensa, buscou afastar suspeitas de proximidade entre Toffoli e o ex-banqueiro, alvo de investigações da Polícia Federal (PF).
O evento em questão foi um jantar realizado em Londres, em 25 de abril de 2024, no exclusivo clube Annabel’s. Segundo reportagens, o encontro homenageou Alexandre de Moraes e teve um custo estimado em 400 mil libras, o equivalente a cerca de R$ 2,7 milhões. A ocasião incluiu uma degustação de whisky de luxo e, posteriormente, uma festa restrita.
Após o jantar, foi organizado um “after party” (a festa depois da festa, em tradução livre) para um grupo restrito de convidados. Conforme relatos citados em reportagens, alguns participantes receberam broches que davam acessos a “encontros íntimos” com modelos europeias.
Além de Toffoli e Moraes, estiveram presentes no jantar autoridades de destaque, como Ricardo Lewandowski (então ministro da Justiça), Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal) e Paulo Gonet (procurador-geral da República).
Na nota enviada à piauí, a equipe de Toffoli enfatizou que o magistrado “jamais teve qualquer relação de amizade” com Vorcaro. A defesa também rejeitou alegações de que o ministro teria recebido dinheiro do ex-banqueiro ou do cunhado dele, Fabiano Zettel.
As negativas ocorrem no contexto de um relatório de 196 páginas elaborado pela PF, que permaneceu sob sigilo por sete meses no STF. O documento analisa os elos entre o ministro e o ex-dono do Banco Master, registrando 12 encontros entre eles nas cidades de Brasília, São Paulo e Londres.
A investigação da Polícia Federal, conforme detalhou a revista, aponta repasses de cerca de R$ 35 milhões de Vorcaro para o fundo Arleen, que enviou recursos para uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O fundo também foi sócio do resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que conta com participação de uma empresa pertencente à família de Toffoli. O relatório sugere, ainda, que essa relação pode ter influenciado decisões judiciais do ministro favoráveis ao setor sucroalcooleiro, no qual o Banco Master possuía forte atuação.























