Por Mário Plaka (*)
Todas as manhãs faço meu culto, oro e entrego meu dia a Deus. Hoje, porém, meu propósito era subir ao monte para orar especificamente pelo Brasil, diante do momento que estamos vivendo e, particularmente, diante da sessão e do julgamento que se aproximam no Supremo Tribunal Federal. Antes de subir, pedi ao Senhor uma palavra para este tempo.
A resposta veio em 1 Samuel 12:14-17. Samuel coloca o povo diante de uma escolha: obedecer à voz de Deus ou sofrer as consequências da desobediência. E essa palavra parece falar diretamente aos nossos dias. Porque pecado é, também, errar o alvo. Quando quem recebeu autoridade usa o poder para servir a interesses próprios, quando a verdade é relativizada, quando a justiça perde sua imparcialidade, quando a corrupção encontra abrigo nas estruturas do Estado, há um afastamento do propósito para o qual a autoridade foi constituída.
E aqui está o ponto que muitos preferem ignorar: o problema não está somente dentro do STF, do Executivo ou do Legislativo. Ele também começa no povo. O STF não nasceu do nada. O Congresso não nasceu do nada. O Executivo não nasceu do nada. Essas estruturas são ocupadas por pessoas que saem da sociedade e, numa democracia, chegam ao poder por escolhas políticas e eleitorais.
O povo não pode reclamar permanentemente dos frutos sem examinar também as sementes que ajudou a plantar. Não adianta condenar a corrupção e vender o voto; exigir honestidade e eleger pelo favor; defender justiça quando interessa e relativizar o erro quando o errado pertence ao nosso lado político. A urna não é apenas um direito: é uma responsabilidade.
Por isso, diante de um Brasil dividido, de instituições em permanente tensão e de uma sociedade cansada de assistir aos poderes da República disputarem espaço enquanto o cidadão paga a conta, este não é apenas um momento para manifestações políticas. É um momento para oração. Oremos pelo STF, pelo Executivo e pelo Legislativo. Oremos pelos ministros, pelos parlamentares, pelos governantes e por todos os que receberam autoridade para servir ao povo.
Que Deus dê temor aos que julgam, sabedoria aos que governam, coragem aos que legislam e consciência àqueles que fiscalizam. Que ninguém se julgue acima da lei, acima da Constituição e, muito menos, acima de Deus.
Há quem confie no cavalo, há quem confie na força do braço, há quem confie no cargo, no partido, no dinheiro, na influência ou na toga. Nós, porém, precisamos lembrar que nenhum poder humano é absoluto. A cadeira muda de ocupante. O mandato termina. O governo passa. A toga um dia é deixada sobre a cadeira. Mas Deus permanece.
Por isso, antes de perguntarmos qual será o veredito dos homens, precisamos perguntar qual é a vontade de Deus para esta nação e qual é a nossa responsabilidade diante dela.
Que o povo brasileiro volte a dobrar os joelhos sem abandonar a responsabilidade de ficar de pé. Ore pelo Brasil. Ore pela justiça. Ore pela verdade. E, quando chegar a hora, vote com consciência. Porque o Brasil que teremos amanhã será também consequência das escolhas que fizermos hoje.























