Por Mário Plaka (*)
O Vale do Aço está cansado de perder. Perder empresas, perder estruturas públicas, perder investimentos, perder representatividade e, agora, correr o risco de perder mais agências bancárias importantes sem qualquer reação à altura por parte de muitos daqueles que deveriam defender a região.
É revoltante ver o silêncio de deputados estaduais, deputados federais, prefeitos, vereadores e lideranças políticas diante da possibilidade de fechamento de agências do Banco Itaú em Coronel Fabriciano e Timóteo.
Estamos falando de cidades que representam história, economia, desenvolvimento e milhares de trabalhadores, aposentados e servidores públicos estaduais que dependem diretamente desse atendimento presencial. Não estamos falando de pequenas localidades isoladas. Estamos falando de uma região que movimenta a economia do leste mineiro e que sempre ajudou a construir Minas Gerais.
Coronel Fabriciano é a cidade-mãe do Vale do Aço. Foi dali que começou grande parte da construção histórica e econômica da região. Aceitar passivamente a retirada de estruturas importantes é aceitar o enfraquecimento gradual de toda a nossa identidade regional.
E o mais grave: ninguém reage.
Onde estão os representantes políticos eleitos com votos do povo? Onde estão os assessores, secretários, lideranças comunitárias e entidades empresariais? Onde está a mobilização regional?
Porque defender a região não pode depender de partido político. Quem recebeu voto no Vale do Aço tem obrigação moral e política de defender o Vale do Aço.
Essa desculpa de que “hoje tudo é digital” não convence. O atendimento presencial continua sendo essencial, principalmente para aposentados, pensionistas, servidores públicos e pessoas que enfrentam dificuldades com aplicativos e plataformas bancárias.
O fechamento de uma agência bancária não representa apenas a retirada de um prédio. Representa perda de circulação econômica, perda de empregos, perda de arrecadação, enfraquecimento do comércio local e aumento da dependência de outras cidades.
Fabriciano, Timóteo, Antônio Dias, Jaguaraçu e Marliéria formam um eixo populacional importante. Não faz sentido concentrar tudo apenas em Ipatinga enquanto as demais cidades vão sendo esvaziadas pouco a pouco.
A verdade precisa ser dita: o Vale do Aço perdeu força política regional porque muitos dos seus representantes perderam a coragem de enfrentar interesses maiores.
Existe muita vaidade, muito discurso e pouca ação prática.
E pior: muitas vezes pessoas preparadas, que conhecem a realidade do povo e têm coragem de enfrentar problemas reais, acabam sendo menosprezadas enquanto figuras vazias, sustentadas por marketing, fofoca política e grupos de interesse, ocupam espaço sem produzir resultados concretos para a população.
Essa nota é também um chamado ao povo.
A população precisa entender que desenvolvimento regional não acontece sozinho. Quando uma agência fecha, quando uma empresa vai embora, quando um órgão público é transferido, toda a região perde.
É preciso pressão popular. É preciso mobilização. É preciso que vereadores, prefeitos, deputados e entidades comerciais se posicionem imediatamente junto à direção regional e nacional do Banco Itaú para buscar alternativas e impedir mais esse enfraquecimento regional.
O Vale do Aço não pode continuar assistindo tudo ir embora em silêncio.
Quem ama sua cidade luta por ela. Quem representa o povo precisa agir. E quem se cala diante do enfraquecimento da região acaba se tornando cúmplice dele.

























