Por Mário Plaka (*)
Quem confia no governo Lula? Quem confia na OMS? A Organização Mundial da Saúde voltou ao centro do debate. E o Brasil também.
A aproximação do governo Lula com dirigentes da OMS levanta uma discussão que não deveria ser tratada como uma simples disputa entre esquerda e direita. Até porque a questão é muito maior. Não se trata apenas de Lula ou Bolsonaro. Não se trata apenas de Biden ou Trump. Não se trata apenas de Javier Milei ou Alberto Fernández.
Estamos falando de uma organização internacional que passou a ser questionada sob diferentes governos, em diferentes países e em diferentes momentos políticos. E, quando uma instituição dessa dimensão passa a ser alvo de críticas e questionamentos, talvez seja hora de parar e perguntar: O que está acontecendo?
Estados Unidos e Argentina apresentaram críticas relacionadas à atuação da OMS, à condução da pandemia, à independência da organização e, no caso americano, também ao peso financeiro das contribuições.
Podemos concordar ou discordar dessas decisões. Mas não podemos fingir que elas não existem. E, principalmente, não podemos transformar esse debate em uma guerra ideológica. Porque as pergunta são muito simples: quem fiscaliza a OMS? e quem fiscaliza o dinheiro que chega à OMS?
E mais: até que ponto os grandes financiadores influenciam suas decisões? Quem responde quando uma orientação sanitária se mostra equivocada? E quem protege a população quando a ciência, a administração pública ou os organismos internacionais erram?
Não se trata de ser contra a ciência. Não se trata de ser contra a saúde. Não se trata de ser contra a cooperação internacional. Trata-se de exigir transparência. Trata-se de exigir responsabilidade. Trata-se de exigir que instituições que influenciam decisões sobre milhões de vidas também estejam abertas ao questionamento público.
Não somos donos da verdade. Não queremos encerrar o debate. Queremos abrir o debate. Queremos ouvir quem concorda. Queremos ouvir quem discorda. Queremos ouvir médicos, pesquisadores, profissionais de saúde e cidadãos.
Porque uma sociedade verdadeiramente democrática não é aquela em que todos pensam da mesma forma. É aquela em que todos podem perguntar. E, se uma instituição é realmente sólida, ela não deveria temer perguntas.
Se uma decisão é realmente correta, ela deveria resistir ao questionamento. E, se uma organização realmente trabalha em defesa da humanidade, deveria estar disposta a prestar contas à humanidade.
Por isso, deixamos as perguntas:
Você confia na Organização Mundial da Saúde?
A OMS ainda precisa reconquistar a confiança de parte do mundo?
O Brasil deve ampliar sua parceria com a organização ou exigir mais transparência, independência e prestação de contas?
O debate está aberto. Não queremos unanimidade. Queremos argumentos. Porque é no confronto respeitoso de ideias que uma sociedade pode se aproximar da verdade.























