Por Mário Plaka (*)
Quem acompanha eleições há algum tempo certamente se lembra da história de Tiririca, em 2010. Ele recebeu cerca de 1,35 milhão de votos para deputado federal, e sua votação ajudou a eleger outros candidatos pela lógica das coligações proporcionais. Eram partidos diferentes, com candidatos que, para grande parte dos eleitores, eram praticamente desconhecidos. O eleitor apertava o número de um candidato, mas o voto entrava no cálculo daquela coligação e podia contribuir para eleger alguém de outro partido.
Aquela história ficou famosa e continua sendo lembrada até hoje. Só que existe um detalhe que muita gente ainda não percebeu: aquela regra acabou. A partir das eleições de 2020, as coligações proporcionais deixaram de existir. Mas será que o eleitor realmente entendeu o que entrou no lugar?
Entraram as federações partidárias. E aqui está o ponto que merece nossa atenção. Federação não é simplesmente uma aliança feita para uma eleição e desfeita logo depois. Os partidos que formam uma federação precisam atuar juntos por, no mínimo, quatro anos.
Em 2026, existem federações envolvendo partidos como PT, PCdoB e PV; PSDB e Cidadania; PSOL e Rede; União Brasil e Progressistas; além de PRD e Solidariedade. Ou seja: o eleitor pode estar olhando para um candidato de determinado partido, mas esse partido pode estar politicamente ligado a outro — ou a outros — que possuem uma história, posições e interesses que talvez o eleitor desconheça.
E é exatamente aí que está o problema: você sabe para onde vai o seu voto depois que aperta o botão confirma? Porque não basta conhecer o candidato. É preciso conhecer o partido. E, se ele estiver federado, é preciso conhecer também a federação.
Você sabe o que esse partido defendeu nos últimos anos? Sabe com quem votou? Sabe quais alianças fez? Sabe de que lado esteve nas principais decisões do país? Sabe quais bandeiras se levantou? Sabe quem são seus aliados?
Porque o candidato tem nome, rosto e discurso, mas o mandato está inserido em uma estrutura partidária. E essa estrutura tem direção, bancada, estatuto e decisões políticas.
O eleitor precisa parar de votar apenas pela simpatia que sente pelo candidato. É preciso fazer uma pergunta muito mais importante: eu concordo com o partido que está por trás dele?
Porque, se você não conhece o partido, pode estar escolhendo uma pessoa sem perceber todo o conjunto político que vem junto com ela. É como comprar uma caixa sem saber o que existe dentro. Você enxerga a embalagem, mas não conhece o conteúdo.
O recente episódio envolvendo Cleitinho também ajuda a mostrar o peso que uma estrutura partidária pode exercer sobre uma candidatura. Houve uma verdadeira disputa política em torno de sua candidatura ao governo de Minas, com decisões e recuos dentro do próprio partido. E isso deveria servir de alerta para o eleitor: o político pode ser popular, pode ter milhões de seguidores, pode ter uma votação expressiva, mas partido continua sendo partido. Existe uma estrutura por trás do candidato, e essa estrutura tem poder.
Por isso, nesta eleição, antes de escolher um nome, faça uma coisa simples: pesquise o partido. Depois, pesquise a federação. Descubra com quem ele está caminhando. Descubra o que esses partidos fizeram nos últimos anos. Descubra onde estiveram nas votações importantes. Descubra quais alianças fizeram e quais posições defenderam. Não entregue seu voto apenas porque gostou de uma fala, de um vídeo ou de uma promessa.
O voto continua sendo seu. Mas o poder que nasce dele será exercido por alguém dentro de uma estrutura política. E é justamente por isso que o eleitor não pode mais olhar somente para o candidato que aparece na tela da urna.
Olhe para o partido. Olhe para a federação. Olhe para a história. Olhe para as alianças. E, principalmente, descubra a serviço de quem esse grupo político está.
Porque eleição não é concurso de simpatia. Não é torcida organizada. E muito menos um voto dado no escuro.
Você não está apenas escolhendo um nome. Está escolhendo quem receberá o poder de decidir em seu nome.























