Por Neimar Fernandes (*)
Tem horas que parece impossível acompanhar o noticiário brasileiro sem achar que estão zombando da nossa inteligência.
De um lado, temos um país dominado por facções criminosas que controlam territórios, movimentam bilhões e desafiam o Estado. De outro, surgem questionamentos envolvendo instituições financeiras, institutos de pesquisa e personagens influentes da política nacional. E o que fazem os grandes veículos de comunicação? Em vez de esclarecer tudo de forma transparente, tratam qualquer questionamento como se fosse um crime.
A pergunta é simples: por que tanto incômodo quando alguém pede explicações?
Se tudo está correto, que se apresentem os fatos. Que se abram os números. Que se esclareçam as relações. Quem exerce influência sobre a opinião pública e sobre o mercado tem obrigação de prestar contas à sociedade.
O problema é que o Brasil se acostumou a conviver com dois pesos e duas medidas. Dependendo de quem está envolvido, uma suspeita vira manchete durante meses. Dependendo de quem é o alvo, o assunto desaparece rapidamente ou sequer é investigado com o mesmo rigor.
Enquanto isso, o cidadão comum assiste a tudo pagando impostos cada vez maiores, convivendo com a violência e vendo a confiança nas instituições se deteriorar dia após dia.
Não cabe condenação sem provas. Mas também não cabe blindagem para ninguém.
Num país sério, perguntas são respondidas. No Brasil de hoje, muitas vezes quem faz as perguntas é que acaba sendo atacado.
E é exatamente por isso que tanta gente tem a sensação de que o Brasil não é para amadores























