Por Neimar Fernandes (*)
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal colocam sob escrutínio a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades. Entre os nomes citados está o ministro Alexandre de Moraes. Há mais: o escritório de advocacia de sua esposa manteve contratos milionários com o banco. Tudo isso precisa ser esclarecido.
Não se trata de condenar ninguém por antecipação. Investigação não é sentença. Suspeita não é culpa. Mas também não existe democracia sem perguntas. E a principal delas é inevitável: “Pode um ministro do Supremo continuar julgando questões que envolvam pessoas ou interesses relacionados a uma relação que está sob investigação?”
Não basta dizer que os contratos eram legais. Legalidade é o ponto de partida. A questão é a aparência de independência. A confiança pública. O conflito de interesses.
Juiz não precisa apenas ser imparcial. Precisa parecer imparcial. O problema é ainda maior quando as suspeitas chegam à própria instituição responsável por julgar.
Quem fiscaliza o fiscal? Quem investiga quem investiga? Quem julga quando a dúvida alcança quem julga?
O Supremo não pode exigir respeito à sua autoridade e, ao mesmo tempo, fugir das perguntas que colocam sua credibilidade em xeque. Se tudo foi regular, que se prove. Que se mostrem documentos, contratos, mensagens e contextos. Sem blindagem. Sem corporativismo. Sem privilégios.
A República não pode ter cidadãos acima da lei. Muito menos autoridades acima da dúvida.
Ministros passam. Banqueiros passam. Governos passam. As instituições ficam. E uma instituição só é forte quando suporta ser investigada.
A pergunta, portanto, não é contra Alexandre de Moraes. É a favor da credibilidade do Supremo. Quanto pode resistir uma toga quando a sociedade começa a duvidar de sua imparcialidade?
Essa resposta não pode ser dada por discursos. Só pelos fatos.























