Por William Saliba (*)
Acompanhando o aumento da escala militar da Guerra do Irã, constato que finalmente o governo do Líbano tomou medidas drásticas para retomar a soberania libanesa em seu território.
Lendo o artigo do jornalista Ahmed Ayash, no diário independente libanês Nidaa Al Watan, em sua edição deste domingo (8/3/26), observo que mais de 150 iranianos abandonaram o Líbano ontem. O grupo incluiu diplomatas, militares e seus familiares. Eles partiram em um avião russo com destino à Rússia. A fuga aconteceu após um aviso severo das forças de Israel, que prometeu atacar qualquer representante do Irã em solo libanês. O governo do Líbano, finamente, também impôs restrições severas às atividades militares estrangeiras no país.
O porta-voz militar de Israel, Avichai Adraee, deu um prazo de 24 horas para a retirada. Ele afirmou que o exército não aceitaria a presença iraniana no Líbano. Adraee declarou que não haveria lugar seguro para os representantes do regime de Teerã. O exército de Israel prometeu alvejar esses oficiais em qualquer lugar. A ameaça causou a saída imediata de Beirute de dezenas de oficiais da Guarda Revolucionária.
O ministro da Informação, Paul Morcos, anunciou que membros da Guarda Revolucionária seriam presos. Simultaneamente, governo do Líbano proibiu todas as operações militares desse grupo em solo do libanês. Além disso, os iranianos agora precisam de visto para entrar no Líbano. O conselho de ministros também ordenou que o Hezbollah entregue suas armas. Estas ações buscam seguir os princípios de paz estabelecidos em acordos anteriores.
A tensão escalou após a morte do líder supremo Ali Khamenei. O Hezbollah disparou foguetes contra o norte de Israel em retaliação. Este ataque gerou uma reunião de emergência no Palácio de Baabda. Líderes políticos locais elogiaram a decisão de limitar o poder do Hezbollah. Eles acusam o grupo de seguir ordens iranianas que prejudicam os cidadãos libaneses. Políticos afirmam que o comando do Hezbollah está desconectado da realidade do país.
Relatórios indicam que a Guarda Revolucionária controla as decisões do Hezbollah. O Irã enviou cerca de um bilhão de dólares para o grupo no último ano. Oficiais iranianos chegaram recentemente ao Líbano para reconstruir o poderio militar local. Eles treinaram unidades de mísseis em diversas cidades libanesas. Israel realizou ataques aéreos e eliminou comandantes de alta patente dessas unidades no mês passado.
A partida dos representantes não encerrou o conflito na região. O Irã atacou uma refinaria de petróleo em Haifa logo após a retirada. O Hezbollah também lançou drones contra alvos israelenses no mesmo período. O grupo justificou o ataque como resposta aos bombardeios em Beirute. A situação no Líbano permanece instável, enquanto as forças militares continuam em alerta máximo.
Com certeza, depois deste conflito, o Líbano não será mais o mesmo. Deverá ocorrer uma reformatação política e o país, que possui a maior população cristã do mundo árabe, deverá encontrar o seu caminho para se tornar verdadeiramente uma nação independente e democrática; o sonho de todos os libaneses.



















