Quatro agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) foram presos e expulsos da corporação na Venezuela. Os policiais foram flagrados apropriando-se de dinheiro e objetos de valor em meio aos escombros de edifícios que desabaram no estado de La Guaira, no norte do país. A região litorânea foi uma das áreas mais afetadas pelos recentes terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o território venezuelano.
As prisões ocorreram após a veiculação de gravações feitas por moradores locais nas redes sociais. Em um dos registros, capturado na localidade de Playa Grande, um dos investigadores aparece segurando cédulas de dólares americanos enquanto é confrontado por cidadãos da comunidade. No vídeo, as testemunhas acusam o policial de reter o dinheiro sob a justificativa de transformá-lo em material de prova, gerando uma discussão na qual cédulas foram rasgadas pela população em protesto.
Também houve registro de furtos de aparelhos de TV e eletrodomésticos por militares da Guarda Nacional Bolivariana em outras regiões afetadas pelo terremoto na Venezuela.
O diretor-geral do CICPC, Douglas Rico, confirmou em comunicado oficial a demissão sumária e a abertura de processos administrativos e judiciais contra os envolvidos. Segundo a direção do órgão, os detidos desviaram-se das funções institucionais ao se aproveitarem do estado de calamidade pública e das ações de assistência humanitária para a retenção de bens particulares. O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou que o governo aplicará tolerância zero contra desvios de conduta policial em cenários de desastre.
A atuação irregular gerou posicionamentos também por parte de organizações partidárias locais, como o grupo de oposição Primero Justicia, que solicitou auditoria rigorosa nas áreas sob custódia estatal. O balanço oficial mais recente divulgado pela gestão pública aponta que o desastre natural já contabiliza 1.943 mortes confirmadas e mais de 10.500 feridos no país caribenho, enquanto equipes internacionais e voluntários trabalham na busca por sobreviventes soterrados.























