A sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a uma lista de produtos brasileiros começou a vigorar nesta quarta-feira (22). A medida adotada pelo governo norte-americano alcança cerca de 3 mil itens exportados pelo Brasil, enquanto outras 2 mil mercadorias permanecerão sem a nova incidência de imposto.
A decisão da gestão de Donald Trump decorre de investigações comerciais que alegaram a existência de barreiras impostas pelo Brasil ao comércio entre as duas nações. Entre as justificativas apresentadas pelos EUA estão o funcionamento do sistema PIX, regras aplicadas a plataformas digitais, políticas ambientais, o mercado do etanol, diretrizes de propriedade intelectual, combate à corrupção e acordos comerciais celebrados pelo país. Em contrapartida, o governo brasileiro nega as acusações, argumenta intenção política por trás da medida e classifica a ação como ingerência em temas nacionais.
Apesar do impacto em diversos setores, itens essenciais da pauta exportadora como petróleo bruto, café em grão, carne bovina, aviões, celulose e suco de laranja não sofrerão a taxação. Por outro lado, bens industrializados e matérias-primas como máquinas, pneus, açúcar, etanol, madeira, calçados, tabaco e produtos de alumínio passam a ser tributados.
Conforme levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a alíquota afetará aproximadamente 15% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, com base no volume financeiro registrado em 2025 — o equivalente a US$ 5,8 bilhões (R$ 29,4 bilhões). Do total de bens enviados ao mercado norte-americano, 57% continuarão isentos da taxa.
O Poder Executivo brasileiro pretende manter interlocução diplomática com Washington. Embora haja a previsão legal da Lei da Reciprocidade Econômica — sancionada em 2025 —, nenhuma retaliação concreta foi colocada em prática até o momento. Como forma de mitigação, a administração federal prepara apoio via linhas de crédito e programas de busca por novos mercados por meio da ApexBrasil.
O quadro comercial ainda demanda acompanhamento constante, visto que o governo americano avalia a aplicação de uma cobrança extra de 12,5% atrelada a apurações sobre trabalho forçado. Em caso de sobreposição das medidas, a alíquota total aplicada a certas mercadorias pode atingir o patamar de 37,5%.

























