Por Neimar Fernandes (*)
Do alto de meus 70 anos, com 45 deles dedicados ao jornalismo, sinto-me no dever de alertar a sociedade para a vergonhosa parcialidade da grande mídia na cobertura da Caminhada Acorda Brasil, realizada ao longo de cinco dias e com mais de 250 quilômetros de percurso, reunindo multidões em defesa da liberdade e da justiça.
Durante praticamente toda a extensão do trajeto, o movimento foi deliberadamente ignorado pelos principais veículos de comunicação do país. Um silêncio editorial que contrasta com a relevância do ato, sua duração, sua dimensão popular e, sobretudo, seu caráter pacífico e ordeiro.
A cobertura só ocorreu quando uma fatalidade climática resultou em ferimentos a alguns manifestantes. Ainda assim, o foco deslocou-se do sentido do movimento para o episódio isolado, explorado de forma oportunista, sem o devido contexto e sem o cuidado jornalístico esperado de uma imprensa que se diz comprometida com o interesse público.
Quando finalmente noticiado, o evento foi apresentado com imagens fechadas, ausência de planos gerais, nenhum destaque para a causa que mobilizou milhares de cidadãos e total omissão quanto à postura pacífica dos participantes. Um esforço visível de minimização e ocultação, incompatível com o dever de informar de forma honesta e equilibrada.
Jornalismo não é instrumento de conveniência política nem de manipulação narrativa. A seletividade na cobertura, o silenciamento deliberado e a distorção de fatos corroem a credibilidade da imprensa e enfraquecem a democracia.
A sociedade tem o direito de ser informada plenamente e o jornalismo, o dever de servir à verdade – não a interesses- pela ética, pela verdade e pela liberdade de informar.























