Uma investigação conduzida por um comitê da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos indica que estruturas instaladas no Brasil, apresentadas oficialmente como centros de pesquisa científica, podem estar vinculadas ao setor de defesa da China. O documento sustenta que parcerias acadêmicas firmadas em território brasileiro estariam sendo utilizadas para fins de inteligência estratégica.
O relatório foi elaborado pelo Comitê Seleto da Câmara sobre a China e aponta a existência de uma rede de instalações espaciais que, segundo os parlamentares americanos, estariam conectadas à base industrial de defesa chinesa. Entre os locais citados está a chamada “Estação Terrestre Tucano”, em Salvador (BA), descrita publicamente como um centro de processamento de dados de satélites civis.
De acordo com o documento, os equipamentos utilizados na unidade teriam capacidade de “uso duplo”, termo empregado para tecnologias que podem atender tanto a aplicações civis quanto militares. Segundo a análise apresentada pelo comitê, sistemas voltados à observação astronômica também poderiam ser empregados para rastrear satélites e monitorar alvos estratégicos.
LABORATÓRIO NA PARAÍBA TAMBÉM É CITADO
Outro ponto mencionado no relatório é um laboratório de radioastronomia localizado na Serra do Urubu, na Paraíba. A instalação teria sido criada em 2025 por meio de cooperação com universidades federais. Para os investigadores americanos, o centro estaria “profundamente integrado” ao sistema de defesa chinês, o que transformaria atividades acadêmicas em instrumentos de vigilância estratégica.
O deputado republicano John Moolenaar, que integra o comitê responsável pelo relatório, afirmou que os Estados Unidos e seus aliados precisam adotar medidas para conter o que classificou como avanço da infraestrutura espacial chinesa na região.
O documento também sugere que Washington reavalie acordos de cooperação tecnológica e de defesa com o Brasil caso não haja, segundo os autores, uma revisão das parcerias envolvendo áreas consideradas sensíveis.
No texto, o Congresso norte-americano classifica as instalações citadas como possíveis pontos de apoio aeroespacial de uma potência estrangeira. O relatório ainda argumenta que a relação comercial e tecnológica entre Brasil e China poderia facilitar a presença de estruturas com potencial aplicação militar.
Até o momento, os governos do Brasil e da China não se pronunciaram oficialmente sobre as conclusões apresentadas pelo comitê americano.
A divulgação do relatório ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas entre Washington e Pequim, especialmente em áreas estratégicas como tecnologia, defesa e exploração espacial.























