Por William Saliba
A Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (AJOIA Brasil), com sede em Belo Horizonte, divulgou nesta terça-feira (7) uma carta aberta dirigida ao Congresso Nacional e aos governadores dos estados, na qual faz duras acusações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Governo Federal e afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo submetido a uma “perseguição política” com risco à sua integridade física. A entidade reúne profissionais da comunicação e escritores de notoriedade de diferentes regiões do país.
Na carta, a entidade sustenta que Bolsonaro, preso desde novembro de 2025 e condenado a 27 anos de prisão por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, estaria em condição de extrema vulnerabilidade física após uma sequência de cirurgias decorrentes do atentado sofrido em 2018. Segundo a AJOIA Brasil, a decisão de mantê-lo sob custódia mesmo após procedimentos médicos recentes caracterizaria tratamento “cruel e incompatível com o Estado Democrático de Direito”.
O texto adota tom fortemente crítico ao STF, com menções diretas ao ministro Alexandre de Moraes, e afirma que magistrados responsáveis pelo julgamento teriam “conflitos graves de interesse”. A associação classifica o processo e a condenação como resultado de “narrativas fantasiosas” e nega que tenha havido tentativa de golpe de Estado, argumento central das ações judiciais contra o ex-presidente.
CRUELDADE
Em um dos trechos mais contundentes, a carta afirma que o Brasil estaria “escorregando para um regime totalitário” desde 2023, citando a existência de presos políticos, o enfraquecimento do Congresso Nacional e o avanço do crime organizado. Para a AJOIA Brasil, Bolsonaro seria alvo de um “assassinato a conta-gotas”, expressão usada para caracterizar o que considera omissão deliberada do Estado brasileiro diante de estado de saúde do ex-presidente.
O documento apela diretamente aos parlamentares federais, argumentando que o Congresso teria meios legais e políticos para intervir e evitar uma “morte precoce e cruel” do ex-presidente, além de rever a situação de condenados pelos atos de 8 de janeiro, classificados pela entidade como episódios de “baderna”, e não de golpe de Estado.
A carta também convoca governadores de estados considerados estratégicos a se posicionarem contra o que chama de “arbitrariedades cometidas em Brasília”, afirmando que tais ações estariam sendo praticadas “falaciosamente em nome da democracia”.
Procurados em ocasiões anteriores sobre críticas semelhantes, integrantes do STF e do governo federal têm reiterado que as decisões relacionadas aos processos do 8 de janeiro seguem o devido processo legal, com base na Constituição, e que não há presos políticos no país. Até o momento, não houve manifestação oficial específica sobre o conteúdo da carta divulgada pela AJOIA Brasil.
O documento é assinado em Belo Horizonte e encerra com a afirmação de que o caso ultrapassa a figura do ex-presidente e representaria, na visão da entidade, um ataque direto ao Estado Democrático de Direito e aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros
Clique no link a seguir leia a integra do documento da AJOIA Brasil:























