Gravações e mensagens em posse da Polícia Federal apontam que o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria guardado R$ 20 bilhões fora do Brasil. O relato foi feito pelo cunhado e operador financeiro de Vorcaro, Fabiano Zettel, durante conversas obtidas por investigadores da Operação Compliance Zero e veiculadas pela revista Piauí.
O diálogo ocorreu em dezembro, período em que Vorcaro já havia sido detido e a instituição financeira liquidada pelo Banco Central. Nas gravações, Zettel afirmou a uma interlocutora próxima que o empresário não tinha acesso ao montante de R$ 20 bilhões depositado em território estrangeiro, pois qualquer tentativa de movimentação imediata resultaria em uma nova prisão pelas autoridades brasileiras.
A apuração indica que Vorcaro foi detido pela primeira vez em 17 de novembro no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava viajar rumo a Dubai. Poucas horas antes da abordagem policial, o banqueiro havia apresentado ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, uma proposta de venda do banco para a empresa Fictor, sob a justificativa de que obteria fundos complementares nos Emirados Árabes. A autoridade monetária identificou fragilidades financeiras na compradora e decretou a liquidação do Banco Master no dia seguinte.
Após ter a prisão preventiva revogada poucos dias depois, Vorcaro voltou a ser preso em março deste ano juntamente com Zettel. Registros anteriores mostram que o próprio cunhado admitiu ter enviado recursos para fora do país semanas antes do colapso da instituição, com o objetivo de resguardar patrimônio pessoal diante de eventuais bloqueios judiciais. Com o avanço das medidas cautelares, ambos enfrentaram bloqueio de bens, encerramento de contas bancárias e dificuldades operacionais para custear defesas jurídicas.
Os arquivos recuperados também demonstram o papel de Zettel na administração de pagamentos autorizados por Vorcaro. Entre as transferências citadas constam repasses direcionados à produção do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a pedido do filho Flavio Bolsonaro, além de desembolsos a advogados e prestadores de serviços de um núcleo chamado pelos investigadores de “A Turma”.
Até o momento, a Justiça rastreou aproximadamente R$ 2 bilhões em propriedades e ativos ligados a Vorcaro para indenização de credores do Banco Master. Atualmente, os dois investigados continuam sob custódia, e o ex-banqueiro tenta viabilizar um acordo de colaboração premiada, embora a rota do dinheiro mantido no exterior ainda não tenha sido apresentada às autoridades.























