Por William Saliba (*)
Acompanhei minha mulher nas compras do supermercado e tive a sensação de que estava na Ilha da Fantasia (aquela série americana exibida pela Globo no Brasil nos anos 1980). Senti-me, no mínimo, alucinado. Não parecia estar no país governado pelo presidente de nove dedos, o “pai dos pobres”, que, em entrevista à Rede Record no último domingo, afirmava que o povo “brasileiro só vive a sensação de que os preços de todos os produtos aumentaram no país”. Ele foi categórico em afirmar que não existe inflação.
Voltando à realidade, empurrando o carrinho de compras, vi que a única Sensação real estava em um freezer à minha frente. Era a manteiga que ilustra esta crônica — por sinal, a de menor preço entre todas no supermercado, talvez por ser produzida aqui mesmo, na Região Metropolitana do Vale do Aço, e não embutir o alto custo do frete. Uma excelente manteiga, diga-se de passagem (o fabricante fica me devendo este merchandising).
No entanto, em seguida, já na minha estação de trabalho, no meu home office, deparo-me com a notícia no UOL, assinada pela jornalista militante Daniela Lima, porta-voz oficial da esquerda brasileira, com a seguinte manchete: “Lula vai ao TSE contra postagens em massa de conteúdo sobre preço de comida”. Na reportagem, ela informa que o ditador tupiniquim vai “pedir ao TSE uma investigação por suspeita de disseminação em massa de material inautêntico sobre o preço dos alimentos”.
A censura agora está me roncando no estômago, assim como no de todos os brasileiros que são obrigados a se privar da sua tradicional alimentação diária.
Ficou até difícil substituir a “abóbora pela picanha”, como sugeriu o mandatário de nove dedos.
Já não bastava a nova normatização das eleições deste ano, que proíbe qualquer propaganda eleitoral nos portais jornalísticos — os grandes formadores de opinião no Brasil, em sua maioria de linha editorial conservadora. Enquanto isso, para a velha imprensa, tudo pode: veiculação de santinhos, matérias publieditoriais etc.
É o tal procedimento democrático da “ditadura da toga”.
Para o consórcio de mídia, tudo. Para nós, nem as migalhas.

























